Morre Simone Simon, atriz de Renoir e Tourneur

A atriz Simone Simon morreu na terça-feira à noite, em Paris. Tinha 93 anos. Havia algo de felino na jovem Simone, que passava a idéia de uma pantera amorosa sempre pronta a mostrar as garras. Nos anos 1930, ela virou a encarnação da jovem francesa sedutora. Nos anos 40, foi para Hollywood. Nos 50, foi eleita a atriz mais elegante do cinema francês. Simone faz parte do imaginário dos cinéfilos de todo o mundo. Foi atriz de Jean Renoir e Jacques Tourneur. Precisa mais? Eternizada por sua imagem em filmes como A Besta Humana e Sangue de Pantera, de 1939 e 42, Simone há décadas havia parado com a carreira. Não a vimos envelhecer na tela, por isso a imagem que vem é sempre aquela, cheia de vida. Ela começou no mundo da moda, até chamar a atenção do lendário Sacha Guitry, que a apadrinhou e a incentivou a iniciar nova carreira na opereta e na comédia ligeira. Com Renoir e Tourneur, Simone descobriu (e trabalhou) seu lado sombrio. A mulher casada que tem um amante, formando-se um triângulo destrutivo em A Besta Humana, de Renoir, baseado na obra de Émile Zola. A outra mulher, vítima de uma maldição, que vira felina (de verdade), em Sangue de Pantera, de Tourneur. Só esses dois filmes garantem a imortalidade de Simone no cinema. O clássico de Tourneur é o pai de todos os filmes de terror sugerido, não explícito, como se pratica hoje.Em 1950 e 52, ela interpretou dois clássicos de Max Ophuls, Conflitos de Amor (La Rode) e O Prazer. Em 1937, Simone Simon ainda fez, ao lado do jovem James Stewart, o remake do clássico silencioso O Sétimo Céu, de Frank Borzage. O diretor de sua versão foi Henry King.

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