REUTERS/Jim Ross
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Morre Shirley Douglas, a Jane Fonda canadense

A atriz, militante que seguiu os passos do pai político, morreu aos 86 anos, de pneumonia

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2020 | 19h35

Ela não era tão famosa como Jane Fonda, mas foi igualmente polêmica. A atriz canadense Shirley Douglas, mãe do ator Kiefer Sutherland, que morreu na quinta (dia 2), aos 86 anos, de pneumomia, apoiou militantes radicais nos anos 1960, entre eles os Panteras Negras. A exemplo de Jane Fonda, protestou contra a Guerra do Vietnã e entrou na lista negra das autoridades norte-americanas (ela foi presa em Los Angeles por conspiração e pela posse de explosivos, em 1969). Foi uma mulher extraordinária, como definiu o filho Kiefer, que descartou a associação da pneumonia de sua mãe com o Covid-19. Os mais velhos devem se lembrar de Shirley Douglas em filmes como Lolita (1959), de Stanley Kubrick, no qual era Mrs. Starch, a professora de piano em Ramsdalee. Ou no desconcertante Gêmeos, Mórbida Semelhança (Dead Ringers, 1988), do compatriota David Cronenberg, no qual interpretou o papel de Laura, amiga de Geneviève Bujould.

Formada em teatro na conceituada Royal Academy de Londres, Shirley Douglas foi também uma premiada atriz de teatro, tendo contracenado em 1997 com o filho Kiefer, de seu casamento com o também ator Donald Sutherland (Mash, Klute). A peça era nada menos  que Algemas de Cristal (The Glass Menagerie), de Tennessee Wiliams, também conhecida no Brasil com outro título, À Margem da Vida. Shirley já estava divorciada de Donald há duas décadas (ele foi forçada a deixar os EUA em 1977 e criou os filhos no Canadá).

Democrata, ela foi uma das principais ativistas pela saúde em seu país , tendo lutado em favor do sistema de financiamento público de saúde, seguindo os passos de seu pai, o pastor batista Tommy Douglas, que introduziu o modelo de saúde pública universal no Canadá.  

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