Morre Ozualdo Candeias, o papa do cinema marginal

O diretor, roteirista e produtor paulista Ozualdo Candeias, que foi mecânico, taxista e caminhoneiro antes de ser cineasta, morreu às 15 horas desta quinta-feira, vítima de insuficiência respiratória no Hospital Brigadeiro, segundo informou sua família, sem maiores detalhes. O cineasta será velado a partir das 21 horas no velório da Beneficência Portuguesa. Tinha 88 anos. Considerado o papa do cinema marginal, era cultuado por seu filme de estréia, A Margem, de 1967. Mas sua produção caiu no esquecimento, até ser lembrado alguns anos atrás em retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, por ocasião de seus 80 anos. Recentemente também, um documentário em curta-metragem, Candeias: da Boca pra Fora (2002), de Celso Gonçalves, premiado no Festival de Brasília, destacou sua trajetória com declarações de amigos e críticos de cinema que trabalharam com ele como os diretores Carlos Reichenbach e os críticos Zé do Caixão, Jairo Ferreira e Inácio Araújo. Nos anos 50 Candeias saiu pelo interior com uma câmera 16 mm fazendo documentários como Tambaú: Cidade dos Milagres e depois Polícia Feminina (1960), Ensino Industrial (1962), A Visita da Velha Senhora (1976) e Boca do Lixo: Cinema (1977). "Candeias era, talvez, o nome mais representativo do Cinema da Boca do Lixo, que se fez na região onde hoje fica a atual Cracolândia, no Centro de São Paulo, em especial na rua do Triunfo", escreve em seu blog o crítico do Estado Luiz Zanin Oricchio. Candeias também foi produtor, respondendo por Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, entre outros. Dirigiu ainda A Herança (1971), Caçada Sangrenta (1973), As Belas da Billings (1987). Seu último filme foi realizado em 2002, um longa-metragem, O Vigilante, que ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Brasília.

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