Morre o diretor de fotografia italiano Carlo di Palma

Carlo di Palma, um dos maiores diretores de fotografia do mundo, morreu na sexta-feira, aos 79 anos, dia 9, em sua casa, em Roma. Ele iniciou sua carreira na Itália, como assistente de câmera em filmes de Luchino Visconti e, logo em seguida, trabalhou com autores como Roberto Rossellini, Ettore Scola, Bernardo Bertolucci e Michelangelo Antonioni. Desde 1985 e durante 18 anos, ele foi o fotógrafo preferido de Woody Allen, com quem colaborou em filmes como Hannah e Suas Irmãs, A Era do Rádio, Simplesmente Alice, Maridos e Esposas, Misterioso Assassinato em Manhattan e Desconstruindo Harry. "Carlo foi e será sempre um grande artista", disse o prefeito de Roma, Walter Veltroni, durante a cerimônia fúnebre, segunda-feira, da qual participaram cerca de 300 pessoas, entre familiares e a nata do cinema italiano. A marca de Di Palma sempre foi a cor. Ele provocou sensação quando fotografou, em 1964, o primeiro longa colorido de Antonioni. Houve antes a experiência pioneira do episódio que o grande cineasta fez para As Três Faces de Uma Mulher, veículo para a estréia cinematográfica da ex-imperatriz do Irã, a lendária Soraya. Com O Deserto Vermelho, Antonioni, o autor da solidão e da incomunicabilidade, passou a usar a cor para expressar a neurose e a alienação de suas personagens. Di Palma e ele pintaram casas e ruas inteiras na locação escolhida (Ferrara) para revelar a angústia anterior de Giuliana, uma das mais intensas criações de Monica Vitti. Ele próprio dirigiu alguns filmes, incluindo o documentário Addio a Enrico Berlinguer, sobre o impacto que lhe causou a morte do célebre comunista italiano. É autor também de um livro, Qui Comincia l´Avventura (Aqui Começa a Aventura), editado em 1975 nos EUA e que ele transformou em filme (americano) naquele mesmo ano.

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