Morre o cineasta Sydney Pollack

Ganhador dos Oscars de melhor Filme e Direção por 'Entre dois Amores', Pollack foi vítima de câncer

Associated Press,

08 de maio de 2026 | 22h29

O premiado diretor, ator e produtor Sydney Pollack morreu na manhã desta segunda-feira, 26, aos 73 anos. Pollack foi vítima de câncer, segundo informações da agente do diretor, Leslee Dart. O diretor morreu em sua casa em Los Angeles. O grande sucesso do diretor é o filme Entre dois Amores (Out of África, de 1985), com Robert Redford e Meryl Streep, longa que recebeu 7 Oscars, entre eles o de melhor Direção e Filme para Pollack.  O diretor também foi indicado ao Oscar por  Tootsie (1982) e A noite dos desesperados (1969).   Como ator, Pollack participou de vários  filmes,  como De olhos bem fechados (Eyes Wide Shut), do diretor Stanley Kubrick.  Um dos seus últimos trabalhos, no qual atuou como ator e produtor, foi o longa Conduta de Risco, lançado este ano e que recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e melhor ator para George Clooney.  No seu  premiado Entre dois Amores, Pollack conta a história do relacionamento entre o caçador Denis Finch Hatton (Robert Redford) e a baronesa Karen Blixen (Meryl Streep). A proximidade do diretor com os atores, aliás, favoreceu a criação de um clima mais íntimo entre os personagens, necessário para contrastar com a imensidão africana. "Foi um projeto que passou de mão em mão por mais de duas décadas, alguns com roteiros medíocres", explicou Pollack em entrevista ao Estado. Trata-se do filme mais sentimental de Pollack, cuja expressão maior está na cena que se tornou a marca do longa: o momento em que convida a baronesa para passear em um vôo sobre as savanas africanas próximas ao local que ela habita, no Quênia.  O passeio marca ainda o início de um novo relacionamento - quando eles se dão as mãos em pleno vôo, o espectador já sabe que aquela mulher casada vai se apaixonar pelo aventureiro sedutor. Uma alteração que acontecerá também em sua vida profissional, pois ela mais tarde se transformará na grande escritora escondida por trás de um pseudônimo masculino, Isak Dinesen. "Antes mesmo dessa versão abortada, o filme já havia sido desenvolvido por David Lean e Orson Welles, que mais tarde abandonariam o barco também", explica. E o diretor surge com outra revelação: A Noite dos Desesperados, um de seus primeiros grandes sucessos em Hollywood, foi por muitos anos desenvolvido por Charles Chaplin.  Maratona de dança  A Noite dos Desesperados é um dos filmes mais elogiados do diretor. Durante a depressão econômica dos anos 30, nos EUA, vários casais participam de uma maratona de dança.   O longa é uma adaptação do romance de Horace McCoy sobre uma maratona de danças durante a crise. Pollack tece uma forte crítica nesse que é um de seus melhores filmes. A seqüência da corrida em câmera lenta é dos grandes momentos do cinema da década de 60.  Jane Fonda incorpora a atriz ambiciosa que faz par com um rapaz simplório (Michael Sarrazin). Fonda foi indicada para o Oscar pelo papel, mas quem ganhou o prêmio, como melhor ator coadjuvante, foi Gig Young, que faz o animador da competição.  Comédia Versátil, Pollack   dirigiu drama, suspense, westerns e comédia.  Tootsie, um de seus maiores sucessos, é uma clássica comédia que conta a história de Michael Dorsey (Hoffman), ator perfeccionista que não consegue um papel por conta de seu temperamento. Seu empresário (interpretado pelo próprio Pollack) diz que seu gênio é um impeditivo para prosseguir na carreira.  Então ele decide se vestir de mulher e, sob o nome de Dorothy Michaels, consegue um papel numa novela diurna que vira um grande sucesso. O problema é que ele se apaixona por Julie (Jessica Lange), atriz da novela em que trabalha. Vive, então, um dilema: se ele se declarar, a carreira em ascensão toma a direção contrária. O filme ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante (Jessica Lange), outras nove indicações e três Globos de Ouro.  Parceria com Robert Redford Com o passar dos anos, tornou-se um homem com grande visão de mercado, produzindo obras cuja receita era ideal para abocanhar muitos prêmios  e sucesso de público, como  A Firma, com Tom Cruise e  a Intérprete, com Nicole Kidman, ainda que não mais repetisse a sensibilidade  de esteta e humanista que mostrou em seus melhores momentos Um deles foi Mais Forte Que a Vingança, que  narra tragédia na fronteira da civilização.  Quando Dança com Lobos ganhou o Oscar em 1990, não foram poucos os críticos que  lembraram o antecessor do belo western de Kevin Costner.  Mais Forte Que a Vingança (Jeremiah Johnson no original), é a obra-prima da dupla  Pollack  e Redford. É um dos grandes filmes americanos dos anos 70. Com base na lenda de Jeremiah Johnson, que enfrentou  sozinho os índios crous, Pollack fez um western em que a consciência supera  a força e o tema é o próprio conceito de civilização, com suas frágeis fronteiras.  Mais Forte Que a Vingança ainda acabou deixando um outro legado para o cinema. Foi feito no mesmo cenário que Redford transformou em reserva ecológica, no estado de Utah, e onde ocorre o  Sundance Festival, que incentiva jovens criadores do cinema. Outro momento marcante de Pollock   é  com Nosso Amor de Ontem, com Barbra Streisand, e Robert Redford. Foi o terceiro dos sete filmes que o diretor e o ator  fizeram juntos (após Esta Mulher É Proibida e Mais Forte Que a Vingança e antes de  Os Três Dias do Condor, O Cavaleiro Elétrico, Entre Dois Amores e Havana). O filme levou  os Oscars de trilha e canção. Nosso Amor de Ontem cobre mais de 20 anos  da vida americana. Começa nos anos 1930 e chega aos 50, tratando do macarthismo.  O título da bonita música, cantada por Barbra não poderia ser mais adequado: The Way We Were. O jeito que éramos, o jeito como Pollack era bom. Texto ampliado às 23h59. (Com informações de Luiz Carlos Merten e Ubiratan Brasil, do Caderno 2)

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