Morre o cineasta George Sidney

O cineasta George Sidney, um dos principais nomes da era de ouro dos musicais de Hollywood, morreu no domingo em Las Vegas, em conseqüência de um linfoma, aos 85 anos. Sidney dirigiu vários sucessos da Metro nos anos 40 e 50, entre eles os musicais Marujos do Amor (1945), Ziegfeld Follies (46), Bonita e Valente (Annie Get Your Gun, 50), O Barco das Ilusões (51) e Dá-me um Beijo (Kiss Me Kate, 53). Trabalhou com atores como Gene Kelly, Frank Sinatra, Tony Curtis, Lana Turner, Tyrone Power, Ann-Margret e Elvis Presley.De uma família de artistas, Sidney começou ainda criança a trabalhar como ator no teatro de vaudeville. Nos anos 30 ingressou na MGM, onde experimentaria várias funçõesaté assumir a direção de numerosos curtas-metragens. Com dois deles _ Quicker´n a Wink e Of Pups and Puzzles _ ganhou Oscars. Seu primeiro longa foi Thousand`s Cheer (41), musical estrelado por duas das grandes estrelas do estúdio, Gene Kelly e Kathryn Grayson. Sidney dirigiria 28 filmes em 27 anos. Ele foi também, por 16 anos (dois mandatos consecutivos), presidente do Sindicato dos Diretores de Cinema, que, em 1960, sob seu comando, se fundiria ao Sindicato dos Diretores de Televisão. Talvez o mais famoso filme de Sidney seja Marujos do Amor, musical com Gene Kelly e Frank Sinatra como marinheiros num dia de folga em Los Angeles. O longa concorreu a cinco Oscars, incluindo o de melhor filme do ano. Em sua cena mais célebre, Kelly dança com Tom e Jerry, numa sobreposição de desenho animado e ação filmada, uma façanha técnica para a época. Sidney foi um dos grandes incentivadores dos pais de Tom e Jerry, William Hanna e Joseph Barbera, tendo ajudado a dupla a formar a produtora que se tornaria uma potência da animação.Sidney deixaria sua marca também em filmes não musicais da Metro, como Os Três Mosqueteiros (48), Scaramouche (52) e Melodia Imortal (56). Realizaria ainda alguns musicais de primeira linha quando o gênero já estava em franco declínio, entre eles Adeus, Amor (Bye, Bye, Birdie, 63) e Viva Las Vegas (64), este considerado um dos melhores filmes da sofrível carreira de Elvis Presley no cinema."Os musicais se tornaram muito caros", disse Sidney, já aposentado. "Quando estávamos trabalhando na MGM, a empresa era uma usina de talentos: astros e estrelas, diretores, coreógrafos, compositores, regentes, arranjadores. Todos trabalhavam como assalariados, sob contrato. Reunir pessoas assim atualmente seria extremamente custoso." Sidney, um especialista no assunto, certa vez deu sua definição do que é uma estrela de cinema: "alguém que chama sua atenção mesmo quando não está fazendo nada".

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