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Morre o ator Peter O’Toole, um mito dos anos 60

Descrito como gênio e amante da vida, O’Toole tinha 81 anos quando morreu em hospital de Londres de causa não divulgada

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2013 | 09h58

Vencedor de quatro Globo de Ouro, um Emmy e um Bafta, Peter O’Toole foi indicado oito vezes para o Oscar, a última delas em 2006, por Vênus. Todo o mundo deve se lembrar – o Oscar, afinal, tem uma audiência planetária – como ficou decepcionado, ao perder. Estava tão certo da vitória, senão pelo papel por sua extraordinária carreira, que já estava se levantando antes de o nome do vencedor – Forest Whitaker, por O Último Rei da Escócia – ser anunciado.

O’Toole morreu no sábado, num hospital de Londres, aos 81 anos. O anúncio foi feito somente ontem por seu agente, que não informou a causa da morte. Imediatamente, pipocaram as repercussões. Stephen Fry, que integra o elenco de O Hobbit – A Desolação de Smaug, postou no twitter: “Tive a honra de dirigi-lo em uma cena. Era um monstro, um aprendiz, um amante da vida, um gênio.”

Nasceu na Irlanda, em 1932. Fez dois ou três filmes, incluindo uma pequena participação em Sangue sobre a Neve, de Nicholas Ray. E aí foi escolhido por David Lean para encarnar Lawrence da Arábia, em 1962. Não havia sido a primeira escolha do grande diretor, que queria Albert Finney. Ninguém teria feito o papel melhor que O’Toole. Sua beleza loira e a ambivalência do personagem instantaneamente fizeram dele um mito nos anos 1960. Os demais papeis confirmaram seu carisma – em Becket, o Favorito do Rei, de Peter Glenville, com Richard Burton; Lorde Jim, de Richard Brooks; O Que É Que Há, Gatinha?, de Clive Donner; O Leão no Inverno, de Anthony Harvey etc.

Embora fosse beberrão, e mulherengo, O’Toole despontou representando um gay enrustido como Lawrence. O filme de David Lean, vencedor de vários Oscar, não era apenas uma grande obra de arte – as cenas do deserto permanecem insuperáveis –, como também desenhou as mudanças geopolíticas que culminaram no Oriente Médio atual, com todos os seus problemas. Outros grandes papeis de O’Toole foram Adeus, Mr. Chipps, de Herbert Ross; Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci; e no citado Vênus, de Roger Mitchell. Dois outros papeis importantes foram em filmes de Richard Rush, O Substituto, e Richard Benjamin, Um Cara Muito Baratinado.

Ele fez teatro, cinema, TV. Em 2003, ganhou um Oscar honorário por sua carreira. Em 2011, chegou a anunciar que estava parando com tudo. “A paixão disso (representar) não está mais em meu coração”, chegou a dizer. Os últimos anos foram difíceis pela deterioração da sua condição física, mas nunca se soube ao certo qual era sua doença. Os sites de showbiz anunciaram que, de qualquer maneira, ele estava voltando e tinha dois filmes programados para 2014 – Katherine of Alexandria e Mary

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