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Morre Michael Cimino, diretor de 'O Franco Atirador'

Cineasta afundou a própria carreira com a produção de 'O Portal do Paraíso'

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2016 | 21h37

Durante muitos anos, o cineasta americano Michael Cimino era mais conhecido por um fiasco: em 1980, seu filme O Portal do Paraíso foi um estrondoso fracasso de bilheteria, a ponto de levar à falência o estúdio United Artists. Mesmo assim, dono de um estilo cuidadoso mas seco, e com um excelente trabalho fotográfico, Cimino ganhou o Oscar de direção por O Franco Atirador, em 1978. O diretor morreu neste sábado, 2, provavelmente com 77 anos – há dúvida sobre sua data de nascimento. O anúncio foi feito pelo diretor do Festival de Cannes, Thierry Fremaux, em sua conta no Twitter: “Michael Cimino morreu, em paz, rodeado dos seus e das mulheres que amava. Nós também o amávamos.” 

Cimino tinha a fama de rodar seus longas em locais verdadeiros em vez de utilizar cenários, convicto de que quanto mais real fosse a experiência dos atores melhor seria a sua performance. Durante as filmagens de O Portal do Paraíso, por exemplo, despediu várias equipes de cenógrafos e até passou por uma polêmica relacionada com a morte de animais nos bastidores.

Nascido em Nova York, Cimino era descendente de italianos. Estudou em Yale, uma das grandes universidades americanas. Trabalhou na televisão, na qual dirigiu comerciais. Iniciou a carreira em Los Angeles como roteirista. Raramente dava entrevistas e, durante os 10 anos seguintes ao desastre de O Portal do Paraíso, recusou-se de forma definitiva. Em 2001, publicou seu primeiro romance, Big Jane. Nesse ano, o Ministro da Cultura francês concedeu-lhe a medalha de Chevalier des Arts et des Lettres. Seus críticos apontavam-no como um homem megalomaníaco, mas seus pares o consideravam “um dos grandes”.

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