ALEX SILVA/AE
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Morre Lina Wertmüller, premiada cineasta italiana, aos 93 anos

Diretora de 'Pasqualino Sete Belezas' e 'Mimi, o metalúrgico', Wertmüller foi a primeira mulher indicada ao Oscar de melhor direção

Agências, EFE

09 de dezembro de 2021 | 08h39

A diretora italiana Lina Wertmüller, referência do cinema do século 20 na Itália e uma das pioneiras por trás das câmeras, morreu nesta quinta-feira, 9, aos 93 anos de idade.

A informação foi confirmada pela imprensa local. Até o momento, a causa da morte não foi confirmada.

Wertmüller recebeu o Oscar honorário em 2019 por sua carreira, que inclui dezenas de títulos como Mimi, o metalúrgico, todos marcados por grande sensibilidade, sarcasmo e títulos longos e atraentes.

A cineasta, uma das referências da segunda metade do século 20, foi a primeira mulher a concorrer ao Oscar de melhor direção da história da premiação, em 1977, com Pasqualino Sete Belezas.

Vida de Lina Wertmüller

Lina Wermüller nasceu em Roma, em 1928, e logo se revelou uma mulher que nunca escondeu suas ideias, quer fosse a adesão ao Partido Socialista, quer fosse a reivindicação dos direitos das mulheres no mundo do cinema.

“Sempre tive uma personalidade forte, desde criança", ela falava de si mesma. "Até fui expulsa de onze escolas e sempre comandei o set de filmagem".

Aos 17 anos, Lina se matriculou na Academia de Teatro dirigido por Pietro Sharoff e começou a colaborar com diretores de teatro famosos como Garinei e Giovannini.

No cinema, começou como assistente de direção e atriz de Federico Fellini em A Doce Vida e Oito e Meio. Sua estreia como diretora  veio em 1963 com Os Lagartos, uma metáfora existencial a partir de jovens burgueses que desperdiçam suas vidas numa pequena e ensolarada cidade do sul da Itália, como os répteis do título, o olhar parado no tempo.

Ela alcançou a notoriedade na década de 1970, com filmes que misturavam comédia e política. Com o ator Giancarlo Giannini, estabeleceu uma parceria profissional firme, que  incluiu uma dezenas de filmes, como Mimi, o Metalúrgico (1972), sobre um trabalhador siciliano que perde o emprego por votar no Partido Comunista, mas é ajudado pela máfia,  Amor e Anarquia e Pasqualino Sete Belezas, sobre um jovem mafioso e único homem de uma família de sete irmãs nada bonitas, o que lhe reserva o provocativo apelido de "sete belezas".

"Sempre fui muito sensível aos problemas sociais, tanto é que nunca consegui fazer um filme que não estivesse profundamente ligado ao tecido social e aos problemas sociais do país; obviamente, tudo isso eu sempre procurei enfrentar com ironia, que é a melhor companheira que temos nessa vida", disse ela ao Estadão, em 1997. "Desconfio de quem não ri, sobretudo dele mesmo e, em seguida, dos outros, quer dizer, desconfio de quem se leva muito a sério."

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