Chico Ferreira/ Luz
Chico Ferreira/ Luz

Morre Conrado Silva de Marco, pioneiro da música eletroacústica

Compositor e engenheiro acústico uruguaio, que tinha 73 anos, deu aulas em diversas instituições e militou pela música nova

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2014 | 18h53

Morreu ontem em SP, aos 73 anos, o compositor e engenheiro acústico uruguaio Conrado Silva de Marco, um dos pioneiros da música eletroacústica na América Latina. Fixou-se no Brasil em 1969, quando foi professor na Universidade de Brasília (UnB). Também lecionou na Faculdade Santa Marcelina (SP) e na Escola de Belas Artes de São Paulo. Durante 15 anos, organizou, em cinco países, os Cursos Latino-Americanos de Música Contemporânea.

Em São Paulo, deu aulas no Instituto de Artes da Unesp na década de 1980. Manteve simultaneamente uma empresa de engenharia acústica e a escola Travessia Oficina de Música.

“Era uma pessoa elegante, rara no meio musical”, diz Flo Menezes. “Tinha um grande conhecimento de acústica e foi importante como militante da música nova. Em 1985, ajudou a organizar a vinda de John Cage à Bienal de São Paulo.” Conrado aposentou-se nos 1990, e havia retornado a São Paulo algum tempo atrás.

Começou a estudar, ainda na Montevidéu natal, piano e engenharia, “conjunção da qual nunca consegui sair”, como dizia. Estudou por vários anos na Alemanha na década de 1960 e em 1968 teve sua Música para Dez Rádios Portáteis executada no Festival de Música Nova de Santos. Tinha a firme convicção de que “os músicos de hoje estão preparados para fazer uma arte que já passou (...) a música tem que ser encarada como um meio de comunicação e informação entre as pessoas – este é seu objetivo fundamental (...) Acredito que, pela própria evolução rapidíssima da educação, num tempo não tão distante, o indivíduo desenvolverá sua criatividade de forma integral. E a música deixará, então, de constituir mero lazer cultural, para voltar a ser um dos melhores meios de comunicação e informação entre as pessoas”.

Conrado pertence a uma geração que lutou para, como ele dizia, “ligar a tecnologia com o processo criativo”. E atraiu para a música eletroacústica novas gerações de compositores que hoje atuam de modo muito mais profissional.

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