Marina Malheiros/Estadão
Marina Malheiros/Estadão

Morre Chico Teixeira, diretor do filme 'A Casa de Alice'

Nascido no Rio de Janeiro, cineasta tinha 61 anos e lutava contra um câncer de pulmão

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 13h22

Há tempos Chico Teixeira vinha lutando contra o câncer de pulmão. Seguia trabalhando - o projeto de um novo filme que pretendia iniciar no ano que vem.  A doença derrotou-o. Chico morreu nesta quinta, 12, aos 61 anos. Nasceu no Rio, em 14 de junho de 1958.  Foram poucos filmes, mas bastaram para colocá-lo no rol dos melhores diretores de sua geração.



Começou no documentário, com Favelas, Velhice. Obteve reconhecimento com Criaturas Que Nasciam em Segredo e Carrego Comigo. Como ficcionista, realizou A Casa de Alice e Ausência. O documentário traçou um caminho - comprometimento com a realidade social e humana, um gosto pelo diferente. Criaturas aborda o mundo dos anões, procurando despi-los do folclore que tece tantas fantasias a seu respeito. Carrego é sobre gêmeos, e como eles também podem ser especiais, unidos por características comuns, mesmo quando separados.

 

 


Na ficção, Chico encontrou não apenas o tema da família, mas também o seu gosto pelo trabalho com as atrizes. A Casa de Alice passou no Panorama do Festival de Berlim, em 2007. Uma manicure, mãe de três filhos. Uma família disfuncional - o marido a trai, ela sai com outros homens, os filhos levam vidas ocultas e ainda tem a avó, a mãe de Alice. Carla Ribas é excepcional, mas não apenas ela. Berta Zemel também tem um grande papel.

 


Em Ausência, o ângulo é o do filho, um garoto que trabalha na feira e se sente responsável pela família, após o abandono pelo pai. Serginho/Matheus Fagundes tem 14 anos e fica divido entre a namorada e a atração por um homem mais velho, o professor interpretado por Irandhir Santos. Talvez busque nele um substituto para o pai, mas a relação é complicada. Mais complicada ainda é com a mãe, que sofre de alcoolismo, e Gilda Nomacce é admirável. Ausência foi premiado no Festival do Rio. Chico amava as pequenas vidas, os solitários, os amorosos não correspondidos. Sua obra, prematuramente truncada, deixa uma marca de verdade, e consistência.

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