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Morre, aos 95 anos, o diretor de ‘A Festa de Babette’

Gabriel Axel ganhou o Oscar de produção estrangeira em 1988

10 de fevereiro de 2014 | 19h42

Morreu, aos 95 anos, o diretor dinamarquês Gabriel Axel, de A Festa de Babette. Sua longa carreira acaba se resumindo, fora das fronteiras do seu país, a este filme literalmente delicioso, que ganhou o Oscar de produção estrangeira em 1988.

Nascido na Dinamarca, Axel passou os anos de infância na França, país para o qual retornou quando moço para trabalhar no teatro de Jean Jouvet. Essa familiaridade com a cultura francesa explica o tom empregado em seu sua obra mais famosa. Por ela se deduz que Axel não despendeu todo o seu tempo no estudo ou no trabalho, ou no interior dos estúdios e teatros. Deve ter aproveitado muito bem a fantástica gastronomia francesa, que lhe fornece o tema central de Babette. O filme é inspirado no conto do mesmo nome, da escritora dinamarquesa Isak Dinesen, pseudônimo de Karen Blixen (1885-1962).

A história ambienta-se no século 19, numa rígida comunidade protestante à qual chega a católica francesa Babette (Stéphane Audran), que se emprega na casa de duas irmãs.

Tudo lá parece desolação. As irmãs Martina e Philippa são filhas de um devoto que prega a salvação da alma através da renúncia do corpo. O alimento serve apenas para manter o ser humano vivo para que este se dedique à maior glória do Senhor. Jamais se poderia pensar na comida como fonte de prazer. Seria pecado. O pai morreu, Martina e Philippa envelheceram, mas mantêm os preceitos do patriarca. Com a chegada da vivaz Babette tudo a muda, em especial quando convence os moradores a provar um autêntico banquete francês, preparado por ela, naturalmente.

O filme é de uma simplicidade total. Não tem tanta história assim para contar, mas é uma bela celebração da comida como arte, e elogio do prazer como sensação que enobrece a alma, ao invés de perdê-la como supunha o pastor.

Sem ser uma obra-prima, Babette permanece para sempre na lembrança afetiva de quem já o viu alguma vez. 

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