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Morre, aos 93 anos, o ator Robert Hossein

Imortalizado no filme 'Angélica, a Marquesa dos Anjos' como o conde de Peyrac, ele montou superproduções no teatro

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2020 | 15h19

Morreu nesta quinta-feira (31), aos 93 anos, o ator e diretor francês Robert Hossein, cuja figura ficou associada ao do conde de Peyrac que interpretou na série de filmes Angélica, iniciada  com Angélica, a Marquesa dos Anjos, em 1964. Hossein morreu no hospital, em Paris, em consequência de problemas respiratórios. Nascido em dezembro de 1927, Hossein virou uma lenda do teatro francês, dirigindo épicos como Os Miseráveis. Ele começou sua carreira de ator na adolescência. Filho de um compositor iraniano e de mãe ortodoxa russa, Hossein foi galã na juventude, tendo atuado em O Repouso do Guerreiro, em que interpretou o papel de amante de Brigitte Bardot no filme dirigido por Roger Vadim.

Impetuoso, segundo os amigos, Hossein sofreu grande influência dos pais, especialmente com relação à formação musical, o que lhe seria útil quando começou a dirigir superproduções teatrais, que alcançaram grande êxito, como Jésus était son nom, um de seus megaespetáculos, que levou ao teatro mais de 700 mil espectadores. De formação autodidata, Hossein formou-se vendo filmes e frequentando os mesmos bares que Sartre, Jean Genet e Boris Vian. Em 1948 ele já podia ser visto numa pequena ponta de um filme de Sacha Guitry,  Le Diable boiteux. No ano seguinte Hossein estreou no teatro com uma peça escrita e dirigida por ele, Le Voyous.

Nos anos 1950 e 1960 atuou ao lado de duas atrizes famosas na época, Brigitte Bardot (Du Rififi chez les Hommes, 1955) e Sofia Loren (Madame Sans-Gêne, dirigido por Christian Jaques  em 1961). Mas foi ao lado de Michelle Mercier na série Angélica que ele cativou o público feminino com uma sensual cicatriz no rosto (do conde de Peyrac). O filme desagradou as autoridades da Igreja por causa de seu forte conteúdo erótico, mas o público aprovou e Angélica virou uma série com quatro filmes.

Seu êxito popular permitiu a Hossein avançar um pouco mais, dirigindo os próprios filmes, como O Vampiro de Düsseldorf. Seu prestígio cresce e ele trabalha em A Música (1967), de Marguerite Duras, que disse a ele: "Você não passa de um Don Juan barato, mas irei transformá-lo num verdadeiro ator". De fato, nunca Hossein recebeu tão boas críticas como nesse filme.

Mas sua paixão era mesmo o teatro, especialmente sua companhia em Reims, que montou peças baseadas em clássicos (Crime e Castigo, de Dostoievski, entre elas). Foi  lá, em 1973, que ele lançou as jovens Isabelle Adjani e Isabelle Huppert. Ele deixou Reims em 1976. Megalomaníaco, chegou a montar um superespetáculo baseado em O Encouraçado Potemkin num ginásio de esportes e se dedicou nos últimos anos a montagens caras como  La Liberté ou La Mort, que custou algo como 44 milhões de francos. E Hossein não parou no século 21: dirigiu ainda as peças Jésus, la Résurrection (2000), C’était Bonaparte (2002), On achève bien les Chevaux (2004), e uma megaprodução de Ben-Hur com corrida de sete bigas no Estádio da França e a participação de 500 figurantes, ao custo de 13 milhões de euros.

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