Mike Appleton/ AP
Mike Appleton/ AP

Morre aos 92 anos Ray Harryhausen, lenda do cinema fantástico

Vencedor de um Oscar honorário em 1992, artista influenciou carreiras de diretores como Steven Spielberg e George Lucas

EFE

07 de maio de 2013 | 16h21

Ray Harryhausen, uma lenda em Hollywood por seu pioneirismo na arte dos efeitos especiais, morreu nesta terça-feira, 7, em Londres aos 92 anos, informou sua família em comunicado.

"O gênio de Harryhausen estava em conseguir dar vida a seus modelos de animação. Fossem dinossauros pré-históricos e criaturas mitológicas, nas mãos de Ray não eram marionetes, mas personagens tão importantes quanto os atores que enfrentavam e, em alguns casos, mais ainda", declarou a família do cineasta.

Vencedor de um Oscar honorário em 1992 e detentor de uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, seu trabalho influiu na carreira de diretores como Steven Spielberg, James Cameron, Peter Jackson e George Lucas, que se inspiraram em obras de Harryhausen como O Monstro Do Mar Revolto (1955), A Ilha Misteriosa (1961), Um milhão de anos antes de Cristo (1966), Sinbad (1981) e Fúria de Titãs (1981).

"Sem Ray Harryhaysen, possivelmente não teria existido Guerra nas Estrelas", disse então George Lucas, o cérebro da célebre franquia galática.

"O Senhor dos Anéis é meu filme homenagem a Ray Harryhausen. Sem seu amor por essas imagens maravilhosas e sua forma de narrar, esse filme não poderia ter sido feito, pelo menos não por mim", afirmou Peter Jackson, diretor dessa saga.

Possivelmente o trabalho mais recordado de Harryhausen é o da animação dos sete esqueletos do filme Jasão e os Argonautas (1963), que lhe tomou três meses de filmagem.

Ao longo de sua carreira produziu 17 filmes, se encarregou dos efeitos especiais de 15 e dirigiu nove curtas-metragens. Também trabalhou como ator em comédias como Um Tira da Pesada III (1994) e Os Espiões que Entraram numa Fria (1985).

Nascido em Los Angeles no dia 29 de junho de 1920, sua paixão pelos efeitos especiais nasceu ao ver o filme King Kong (1933), a produção rodada em preto e branco por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack a cuja estreia assistiu quando Hollywood começava a despertar para cinema em cor.

Uma projeção que marcou sua vida e que lhe converteu no mestre da animação quadro a quadro após ver o trabalho de Willis O'Brien, capaz de transformar um boneco simiesco de 45 centímetros em Kong, o gigantesco gorila que subiu no topo do Empire State, o edifício mais alto da época em Nova York.

"É a fantasia mais real já criada e que segue viva sete décadas mais tarde", comentou Harryhausen em 2005 à Agência Efe.

"Todos os que praticamos a arte da ficção científica e os filmes de fantasia sentimos que nos apoiamos nos ombros de um gigante. Sem a contribuição de Ray ao imaginário coletivo, não seríamos quem somos", declarou o diretor James Cameron.

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