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Morre aos 85 anos a atriz Odete Lara

Ela foi uma das musas do cinema novo e também da bossa nova

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 12h42

RIO - Uma das musas do cinema brasileiro, a atriz Odete Lara morreu nesta quarta-feira, 4, no Rio, aos 85 anos, dormindo. Ela estava num asilo e foi encontrada já sem vida pela manhã. Segundo amigos, seu quadro ultimamente era de debilidade física e depressão. O corpo será enterrado na quinta, 5, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio que Odete amava e na qual viveu por 40 anos, num sítio em que acolhia praticantes de meditação. 

“Odete era budista e achava que já tinha completado seu ciclo, não via mais por que continuar. Há uns dez anos saiu de Friburgo para o Rio, porque estava isolada e, com a idade, era melhor ficar aqui. Minha mulher, Leticia, que cuidava dela. Ela estava deprimida; agora, descansou”, contou o cineasta Antonio Carlos Fontoura. 

Ele foi casado com a atriz entre 1965 e 1968 e, depois disso, eles continuaram amigos. Sem parentes próximos, a atriz passou a ser amparada pelos muitos amigos. Eles se cotizavam para ajudar em tratamentos de saúde e lhe fazer companhia. Sozinha no mundo desde que pai e mãe se mataram (a mãe, quando ela tinha 6 anos; o pai perdeu aos 18), nunca quis ter filhos – dizia não ter espírito maternal.

Ex-modelo e garota-propaganda nascida em São Paulo, foi uma das mulheres mais bonitas da história do cinema nacional, com uma trajetória de mais de 30 filmes. A “deusa loura” das telas fez-se figura feminina marcante do cinema novo e também da bossa nova – cantora diletante, gravou um disco com Vinicius de Moraes pela gravadora Elenco (1963), de parcerias dele com Baden Powell, que entrou para a antologia do gênero.

Na TV, a atriz participou de novelas como O Dono do Mundo (1991-1992), e sua atuação pode ser conferida na reexibição do folhetim pelo Canal Viva, à meia-noite, com reprise à 13h30.

No cinema, Odete trabalhou com diretores como Anselmo Duarte (Absolutamente Certo), Glauber Rocha (O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro) e Nelson Pereira dos Santos (Boca de Ouro). Sua atuação considerada mais memorável é a de Noite Vazia (1964), de Walter Hugo Khouri, em que ela e Norma Bengell (1935-2013) viveram duas prostitutas. 

Antonio Carlos Fontoura a dirigiu em Copacabana me Engana (1969) e Rainha Diaba (1974) e lembra de sua predileção clara pelo cinema: “Era a paixão da vida dela. No teatro, Odete não se sentia muito bem, a televisão a entediava. E mais: a questão da beleza foi sempre um grande incômodo para ela”. 

A atriz Ana Maria Magalhães, diretora da cinebiografia Lara, de 2002, cujo roteiro se baseou em seus três livros autobiográficos, lembrou a importância de Odete não só como atriz, mas também como personalidade. “Ela foi muito avançada, quebrou tabus, foi livre. Namorou quem quis numa época em que as mulheres eram preparadas para se casar virgens. Como atriz, teve carreira meteórica. Sua atuação em Noite Vazia só não ganhou prêmio em Cannes porque os jurados foram conservadores.” 

Ana Maria contou que Odete não ficou satisfeita com Lara. Ela não chegou a ter contato com a atriz que a interpretou, Christine Fernandes. “Odete reclamou que apareceram poucos namorados no filme, disse que teve muitos mais.” (Atualizada às 18h52).

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