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Morre aos 83 anos o ator Omar Sharif, de 'Lawrence da Arábia' e 'Doutor Jivago'

Ele sofreu um ataque cardíaco em um hospital no Cairo, no Egito

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

10 Julho 2015 | 11h25

Se você disser que morreu Michel Demitri Shalhoub, ninguém vai saber quem é. Mas se citar o pseudônimo pelo qual ele se tornou famoso, Omar Sharif, aí a coisa muda de figura. Omar Sharif morreu nesta sexta-feira num hospital do Cairo. Tinha 83 anos. Seu agente informou que sofreu um ataque cardíaco e o filho, Tarek el-Shareif, confirmou que, nos últimos tempos, o pai vinha sofrendo de confusão mental, confundindo filmes e diretores. Há tempos circulavam rumores de que estaria sofrendo do Mal de Alzheimer.

Omar Sharif tornou-se um nome conhecido do cinéfilo desde que surgiu como aquele pontinho que ia crescendo como uma miragem do deserto no clássico Lawrence Da Arábia, de David Lean. Quando isso ocorreu, em 1962, ele já tinha uma carreira de mais de dez anos no cinema egípcio. Casara-se com uma atriz também popular, Faten Hamama. O casamento terminou quando foi catapultado a uma carreira internacional. Logo em seguida veio outro épico de David Lean, Doutor Jivago, e Omar Sharif foi elevado à dupla condição de galã e de mito.

Ganhou prêmios e muito dinheiro. A carreira lhe deu alguns dissabores, também. Em 1968, seus filmes foram banidos do Egito, país em que nasceu. Sharif foi considerado traidor de seu povo. Estava em curso a guerra dos Seis Dias, contra Israel, e ele estava na tela beijando Barbra Streisand em Funny Girl - Garota Genial, de William Wyler. Apesar dos grandes papéis em filmes importantes, sempre houve controvérsia se Sharif era mesmo um ator. Para muitos era um canastrão, e se beneficiava da estampa para seduzir o público, especialmente o feminino.

Ele próprio dizia - "Atuar é minha profissão, mas minha paixão é o bridge." O jogo impulsionou-o a escrever dois livros sobre o tema e a viajar pelo mundo, participando de campeonatos ou simplesmente fazendo exibições. Em 2004, Sharif já era mais jogador que ator quando protagonizou Uma Amizade sem Fronteiras. O filme sobre a ligação entre um comerciante turco e um garoto judeu ganhou o prêmio do público no Festival de Veneza. Sharif ganhou o César, o Oscar do cinema francês, como melhor ator. Não foram poucos os críticos que disseram que, septuagenário, ele virara muito melhor ator.

Em 1969, foi o Che na cinebiografia do revolucionário produzida por Hollywood - Jack Palance fazia Fidel Castro. O filme chamou-se Che! e o diretor Richard Fleischer sempre disse que o filme foi arruinado na montagem pelo estúdio. Sharif filmou muito. Entre os bons filmes que fez estão O Ouro de McKenna, de J. Lee Thompson; Os Cavaleiros do Buzkashi, de John Frankenheimer; e Os Ladrões, de Henri Verneuil. Algumas vezes, tentou a comédia - e se parodiou como o assassino egípcio de A Nova Transa da Pantera Cor de Rosa, de Blake Edwards. Mas o que o público - leia-se, as mulheres - queria vê-lo era como galã, em dramas românticos, principalmente depois que fez o poeta Iuri em Doutor Jivago, adaptado do romance do russo Boris Pasternak.

Embora não fosse tão bom quanto Lawrence, Doutor Jivago fez mais sucesso de público. A beleza de Julie Christie, o castelo de gelo, o Tema de Lara (do compositor Maurice Jarre) e a estampa romântica e sofredora de Sharif arrastaram multidões aos cinemas de todo o mundo. Na mesma vertente fez Mayerling, de Terence Young, como príncipe austríaco que desafiou convenções ao se envolver com plebeia. Sharif um dia admitiu que papéis em filmes açucarados como esse foram diminuindo seu interesse pelo cinema (mas não o do público por ele). Seus últimos papéis foram de coadjuvante, ou participações especiais. Nessa fase, em Hidalgo, O Último Templário e Uma Noite com o Rei, especializou-se nas vestes de sheik ou vizir.

Veja trailers de alguns dos principais filmes em que Omar Sharif atuou:

Lawrence da Arábia:

Doutor Jivago:

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