Fred Prouser / Reuters
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Morre aos 77 anos Bernardo Bertolucci, diretor de 'O Último Tango em Paris'

Cineasta italiano recebeu uma Palma de Ouro honorária em 2011 no Festival de Cannes pelo conjunto de sua obra

O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2018 | 06h49
Atualizado 26 Novembro 2018 | 09h09

ROMA - O cineasta italiano Bernardo Bertolucci, conhecido por filmes como O Último Tango em Paris e Os Sonhadores, morreu em Roma aos 77 anos, anunciou a imprensa italiana nesta segunda-feira, 26.

A emissora italiana RAI disse que Bertolucci morreu em sua casa, cercado por sua família.

Os filmes do diretor frequentemente exploraram as relações sexuais entre personagens presos em crises psicológicas, como em O Último Tango. O autoproclamado marxista também não se privou de temas políticos e ideológicos, como em O Conformista (1970), o qual alguns críticos consideram sua obra-prima.

Apesar de trabalhar com estrelas do cinema americano e internacional, Bertolucci sempre defendeu sua própria maneira de fazer cinema contra o que ele chamava de pressão da indústria cinematográfica dos EUA. Ele manteve sucesso crítico durante boa parte de sua carreira, atravessando as controvérsias que o seu trabalho sexualmente provocativo causou, além de alguns fracassos de público.

"Quando se trata de cinema comercial, tenho o estranho prazer de sentir que sou de outra tribo, um infiltrado", disse ao Corriere Della Serra em 1990.

Os filmes de Bertolucci também carregavam a experiência do diretor com a psicanálise. Ele sempre dizia que fazer filmes era sua forma de se comunicar com o público. Era a sua própria língua.

"Talvez eu seja um idealista, mas ainda penso no cinema como uma catedral em que todos vamos juntos sonhar", disse numa ocasião em que foi premiado pelo Sindicato dos Diretores dos EUA.

Poeta, produtor, roteirista e diretor, Bertolucci era considerado o último "grande mestre" do cinema italiano, responsável por produções como O Último Imperador, filme vencedor de nove Oscars em 1988, entre eles os de melhor filme, diretor e roteiro.

Nascido em Parma, no norte da Itália, em 16 de março de 1941, sua chegada ao mundo da cultura e da sétima arte não foi casual, já que ele pertencia a uma família de reconhecidos escritores e cineastas italianos.

Suas obras nunca deixaram público e crítica indiferentes, e algumas suscitaram enormes polêmicas como Último Tango em Paris (1972), que narra a conflituosa história de amor protagonizada por Maria Schneider e Marlon Brando e foi censurada em diversos países.

Entre os vários prêmios que recebeu, Bertolucci foi agraciado com o Leão de Ouro à carreira no Festival de Veneza em 2007 e com a Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes em 2011, além dos Oscars de Melhor Diretor e Roteiro (dividido com Mark Peploe) em 1988.

Bertolucci entrou para o mundo do cinema com 20 anos, pelas mãos de Pier Paolo Pasolini, de quem foi assistente durante as gravações de Accattone - Desajuste Social (1961).

Sua primeira produção cinematográfica foi A Morte (1962), o ponto de partida a uma carreira destacada como cineasta, que o colocou entre os mais importantes da história italiana, sempre em busca do intimismo e de uma análise contínua da juventude.

Após esse filme, Bertolucci dirigiu Antes da Revolução (1964) e O Conformista (1970), obras com as quais se consagrou como um diretor que trabalhava na introspecção de seus personagens.

A carreira internacional de Bertolucci chegou com Último Tango em Paris, que recebeu duas indicações ao Oscar - melhor diretor e melhor ator (Marlon Brando) - em 1973 e, naquele mesmo ano, também recebeu outras duas indicações ao prêmio Globo de Ouro, a melhor filme e melhor diretor.

O cineasta não conseguiu nenhum desses prêmios, mas as indicações o situaram no primeiro escalão do cinema internacional.

Bertolucci continuou seu sucesso internacional com 1900 (1974-1976), um filme dividido em dois atos, que retrata a vida camponesa da Itália da Grande Guerra e do fascismo.

Em 1987, o italiano lançou o longa metragem que lhe trouxe maior reconhecimento, O Último Imperador, que acabou recebendo quatro Globos de Ouro e nove Oscars, e que resgata a figura de Puyi, o imperador da China derrubado pela revolução de 1911.

Seis anos depois, em 1993, estreou outro grande sucesso, O Pequeno Buda, a história de uma criança americana que monges budistas acreditavam ser a reencarnação de um de seus lamas.

Em 2003, Bertolucci dirigiu Os Sonhadores, depois do qual sofreu um grave problema nas costas que o obrigou a ficar em cadeira de rodas.

Seu último filme é de 2012, Eu e Você, no qual voltou a tratar o tema dos jovens. / AFP, AP e EFE

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