Tobias Schwarz/AFP
Tobias Schwarz/AFP

Morre aos 100 anos Artur Brauner, memória cinematográfica do Holocausto

Produtor de mais de 300 filmes, muitos deles dedicados à memória das vítimas do Holocausto, o judeu-polonês Artur Brauner sobreviveu ao extermínio ao fugir com a família para a União Soviética

Redação, AFP

08 de julho de 2019 | 21h59

O alemão Artur Brauner, produtor de mais de 300 filmes, muitos consagrados à memória das vítimas do Holocausto, como Europa, Europa, morreu em Berlim aos 100 anos.

"A Alemanha perde um de seus produtores de cinema mais importantes do pós-guerra", destacou a secretária alemã de Estado para a Cultura, Monika Grütters.

"Ver que um judeu-polonês perseguido emigra após a guerra ao país dos assassinos de sua família para produzir filmes e participar da reconstrução democrática da Alemanha é um grande presente para nosso país", afirmou Monika.

Nascido em 1º de agosto de 1918, em Lodz, no centro da Polônia, este filho de um comerciante de madeira sobreviveu ao extermínio de judeus-poloneses ao fugir com sua família para a União Soviética.

Brauner emigrou para Berlim após a guerra e fundou a empresa de produção cinematográfica CCC. Outra parte de sua família emigrou para Israel.

Grande admirador de Fritz Lang, produziu durante 70 anos de carreira mais de 300 filmes e séries.

Algumas séries, muito rentáveis, permitiram a Brauner financiar filmes sobre a história do Holocausto, a obsessão durante toda a vida desse sobrevivente.

Entre os filmes que marcaram o público e a crítica estão Europa, Europa, sobre um órfão judeu no coração da elite nazista (1990) e A Rosa Branca (1982), sobre a rede de resistência alemã.

Também produziu o clássico dirigido por Vittorio De Sica O Jardim dos Finzi-Contini, sobre a juventude judia dourada italiana no início da Segunda Guerra Mundial, que recebeu o Oscar de melhor filme de língua estrangeira de 1972.

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