Morgan Freeman vem ao Brasil de "mente e olhos bem abertos"

O ator americano Morgan Freeman, de 64 anos, chega ao Brasil no fim de semana para participar de uma série de eventos cinematográficos. Um dos homenageados do Festival de Brasília, ele participa também do lançamento de seu novo filme, Crimes em Primeiro Grau, no novíssimo Festival de Cinema Afro-Brasileiro e Americano (AfroFest), que ocorre no Rio entre os dias 25 de abril e 2 de maio. Freeman vai acompanhado da mulher Myrna e da filha mais velha, Deena. "Estou indo com mente e olhos bem abertos", explica o ator em entrevista por telefone de sua casa no Mississippi. "Claro, espero encontrar a deliciosa comida de que muitos me falam e ouvir boa música, coisa que os artistas de seu país sabem fazer sem igual. Enfim, acho que vou experimentar a famosa joie de vivre do brasileiro." Freeman conta que o "primeiro grande filme" que viu tinha o Rio como cenário. "Assisti a Orfeu Negro, de Camus, na década de 60. Era jovem e me lembro de ter sido uma grande experiência ver aquelas imagens. Algum tempo depois, tinha cada verso da trilha sonora memorizado. Quando morava em Nova York, nos meus tempos de ator da Broadway, freqüentava bastante a casa noturna S.O.B.´s (Sounds of Brazil), à procura da música de vocês." Atualmente em cartaz nos cinemas americanos como um dos protagonistas de ,Crimes em Primeiro Grau (High Crimes), filme que o reúne mais uma vez à atriz Ashley Judd ("uma jóia de pessoa para se trabalhar") e a ser lançado nos cinemas brasileiros em maio, Freeman experimenta um período de bastante ação em sua carreira. Ele co-estrela a superprodução A Soma de Todos os Medos (The Sum of All Fears), thriller político inspirado nos livros de Tom Clancy sobre o agente do FBI Jack Ryan, duplamente vivido no cinema por Harrison Ford e que agora (coisas de Hollywood) está remoçando, a ser interpretado por Ben Affleck. Freeman também aparece em O Apanhador de Sonhos (The Dreamcatcher), baseado em obra de Stephen King. E, no momento, filma com Billy Bob Thornton, Holly Hunter e Kirsten Dunst o drama Levity, no papel de um pregador religioso que tenta ajudar um ex-presidiário a encontrar a redenção. Sobre a proporção da recente noite histórica do Oscar para os atores negros, com destaque para Halle Berry e Denzel Washington, Freeman diz que acompanhou a cerimônia pela TV, sentado no sofá de sua casa. "Enquanto Halle chorava, eu também estava com lágrimas escorrendo pelo rosto", revela o ator três vezes indicado para o prêmio, mas sem nenhuma vitória. "Também foi emocionante ver Sidney Poitier receber um Oscar especial. Ele realmente foi o cara em que várias gerações de atores negros, incluindo a minha, sempre tiveram como exemplo para se espelhar. Ele abriu todas as portas." Mas Freeman também acha que o hype em cima da noite negra do Oscar fez um grande desserviço a essa minoria de atores. "Ficou parecendo que o resumo da história era: ´Ah, finalmente eles chegaram aqui; finalmente eles conseguiram sair do desemprego.´ Uma bobagem, não? Com ou sem reconhecimento de prêmios importantes, nós, atores negros, chegamos a Hollywood há muitos anos. E cruzamos, com ou sem dificuldades, várias portas. A noite do Oscar demonstrou apenas que uma outra porta foi aberta para nós, assim como ela deve ser aberta para outras minorias. Na verdade, como atores e como americanos, nem deveríamos estar separando segmentos dessas duas classes pelo lado racial." Freeman também não gosta de ser chamado de "artista afro-americano", definição apoiada por Spike Lee. "Que afro-americano, que nada. Eu não sou africano!!! Talvez alguns de meus ancestrais tenham nascido na África, mas eu sou negro nascido no Mississippi, América, e quero ser chamado de negro." Há alguns anos, Freeman abriu sua produtora, a Revelations Entertainment, para ter mais controle sobre seus projetos. No momento, desenvolve uma "grande aventura da Marinha americana" e também um filme mais ambicioso, que acabou de ganhar a última polida no roteiro e poderá ser dirigido por David Fincher, cineasta que trabalhou com Freeman em Seven - Os Sete Pecados Capitais. Trata-se da ficção científica Encontro com Rama, baseado em livro homônimo de Arthur C. Clarke. "Curto muito o aspecto sério da ciência em filmes de ficção científica. É claro que o cinema gosta de explorar o lado fantasioso dessas histórias. Mas existe um prazer em tocar em fantasias embasadas nas teorias científicas como fez Julio Verne e também Clarke."

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