Montagem cinematográfica ganha seminário no Rio

Começa nesta quarta, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, o seminário Cinema e Montagem, sobre a evolução da montagem no cinema. Em paralelo, acontece uma mostra comentada de filmes nacionais e estrangeiros. A montadora e professora da UFF, Virgínia Flores, organizou o evento, que conta com exibição de clássicos como Um Cão Andaluz, primeiro curta de Luis Buñuel, Tempos Modernos de Charles Chaplin e Blade Runner O Caçador de Andróides, de Ridley Scott.O intuito do evento é mostrar ao público como a montagem se apresenta nos filmes. Segundo Virgínia, há uma confusão muito grande entre a "mão" do diretor e do montador. O panorama cinematográfico apresentado a partir de amanhã traz um olhar crítico sobre as mudanças que a evolução da técnica trouxe ao cinema. No cinema mudo, havia uma grande preocupação com a montagem do filme, que sofreu uma queda com a chegada do som. "No início do cinema sonoro, privilegiar o diálogo tornou-se um hábito entre os cineastas", diz Virgínia. Nos anos 70, o surgimento do som direto permitiu um maior deslocamento da câmara e a produção de planos mais elaborados. Os grande planos teatrais, impostos pela dificuldade de captação do som, perdem espaço e a montagem ganha agilidade. Somado a isso, o som já passa a ser percebido como mais um dos elementos narrativos. Mas ela deixa claro que não se pode fazer uma classificação simplesmente cronológica: "Na década de 30 já havia muita produção onde se percebe uma dinâmica de planos". Um bom exemplo disso é o clássico Tempos Modernos de Charles Chaplin, também selecionado para a mostra. Da produção nacional de cinema mudo, Limite, de Mário Peixoto, apresenta uma narrativa montada em cuidadosos planos que encerram idéias comuns, e não uma história linear. O único documentário apresentado é Tudo é Brasil, de Rogério Sganzela, e abre espaço para a discussão da manipulação da "verdade" dos fatos pela montagem.Virgínia tem em seu currículo as montagens de Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck, Miramar e São Gerônimo, de Júlio Bressane, e Bella Donna de Fábio Barreto. Na mostra será apresentado pela primeira vez o curta Os Filhos de Nelson, de Marcelo Santiago e André Saddy e montado por Virgínia, com participação dos atores Eduardo Moscovis e Camila Amado. O filme é baseado na obra de Nelson Rodrigues e aborda o relacionamento entre pais e filhos, irmãos e irmãs numa família de classe média.Cinema e Montagem - 13 a 28 de setembro - Seminários com apresentação de Virgínia Flores e seções comentadas, dias 13, 16 e 23. Centro Cultural banco do Brasil - R. 1º de Março, 66, Centro - Tel. (21) 808-2500 / (21) 808-2100

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