AP Photo/Jean Jacques Levy/Arquivo
AP Photo/Jean Jacques Levy/Arquivo

Monica Vitti, atriz italiana e musa de Antonioni, morre aos 90 anos

Ela atuou em filmes como 'A Aventura', 'A Noite', 'O Eclipse' e 'O Deserto Vermelho'

Redação, AFP

02 de fevereiro de 2022 | 10h01
Atualizado 02 de fevereiro de 2022 | 13h29

A atriz italiana Monica Vitti, genial musa do diretor Michelangelo Antonioni, morreu aos 90 anos, informou nesta quarta-feira, 2, o ministro da Cultura, Dario Franceschini. A causa da morte não foi revelada. Em 2011, o cineasta Roberto Russo, seu marido, anunciou que Vitti sofria de Alzheimer havia quase 15 anos. 

"Adeus Monica Vitti, adeus à rainha do cinema italiano. Hoje é um dia verdadeiramente triste, morre uma grande artista e uma grande italiana", escreveu ministro em um comunicado depois de recordar a longa carreira da atriz, tanto em comédias como dramas.

O olhar terno e melancólico, a voz rouca e sedutora e o cabelo indomável caracterizaram Monica Vitti, que encarnou de maneira perfeita as personagens atormentadas da "incomunicabilidade": A Aventura (1960), A Noite (1961), O Eclipse (1962) e O Deserto Vermelho (1964), quatro filmes que colocaram Antonioni entre os mestres do cinema mundial.

"Tive a oportunidade de começar minha carreira com um homem de grande talento, mas também com força espiritual, cheio de vida e entusiasmo", afirmou a atriz em uma entrevista em 1982. 

Nascida em Roma em 3 de novembro de 1931, Monica Vitti se formou em 1953 na Academia Nacional de Arte Dramática e iniciou a carreira no teatro, onde brilhou por seu talento cômico. 

Graças a seus papéis coadjuvantes em filmes de comédia, ela foi descoberta por Michelangelo Antonioni, com quem rapidamente iniciou uma relação artística e sentimental. 

A atriz interpretou a atormentada Claudia em A Aventura, a atraente Valentina em A Noite, a misteriosa Vittoria em O Eclipse e a neurótica Giuliana em O Deserto Vermelho.

Depois de trabalhar com Antonioni, Monica Vitti se tornou um dos grandes nomes da comédia italiana, no mesmo nível de colegas como Alberto Sordi, Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman e Nino Manfredi.

Ela brilhou em especial em A Garota com a Pistola (1968), filme de sucesso de Mario Monicelli em que interpretou Assunta, uma siciliana que persegue o homem que a "desonrou" até a Escócia. 

Companheira de Antonioni de 1957 a 1967, Vitti se casou com o cineasta e diretor de fotografia Roberto Russo em 1995. 

A atriz recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, incluindo cinco David di Donatello, maior prêmio do cinema italiano, um Leão de Ouro por sua carreira no Festival de Veneza e um Urso de Prata no Festival de Berlim.

Repercussão da morte de Monica Vitti

“Sua morte é uma grande perda não apenas para o cinema, mas para todos nós. Monica era uma grande atriz”

Sophia Loren, atriz

 

“Com sua morte, tenho a impressão de que se foi toda uma forma de se fazer cinema”

Carlo Verdone, ator

 

“Uma mulher de grande ironia e talento extraordinário  que conquistou gerações de italianos com seu espírito, seu talento e sua beleza. Ela deu brilho ao cinema italiano no mundo”

Mario Draghi, primeiro-ministro italiano

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