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Mix Brasil traz grandes filmes e aprofunda debates

A 23ª edição do evento acrescenta o Q à sigla LGBT

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 03h00

Destaque na programação do Festival do Rio, Grandma, de Paul Weitz, dos EUA, mostrou – se é que ainda era preciso – a extraordinária atriz que Lily Tomlin é. Ela faz a avó do título, a quem a neta vai pedir socorro. A garota precisa de dinheiro, a avó se dispõe a visitar seus amigos pedindo ajuda e, dessa forma, não apenas revisita o próprio passado como reavalia sua vida. Para a neta, a experiência também é enriquecedora. Ela percebe o luto da avó e descobre porque e por quem ela está sofrendo, e isso vincula totalmente o filme de Weitz a questões de identidade de gênero e orientação sexual.

Grandma, que encerrou o Sundance Festival, em janeiro, integra a programação do maior evento do gênero, ou transgênero, do Brasil, o Mix Brasil, que chega este ano à sua 23ª edição. O festival agora é LGBTQ, integrando o Queer à sua sigla, o que é uma forma de ampliar o leque das discussões. O mundo não é mais binário e, cada vez mais, existem pessoas que não se identificam com o masculino e o feminino. O Q amplia o leque. O festival começa nesta quarta, 11, e vai até 22 em São Paulo, exibindo 139 filmes de 28 países e abrigando também teatro, música, leituras dramáticas e performances, além da 1.ª Conferência Internacional SSEX BBOX.

É até reducionismo, face a uma programação tão rica, destacar apenas alguns títulos, mas são imperdíveis Nasty Girl, de Sebastian Silva; Como Vencer no Jogo (Sempre), de Josh Kim, que concorre a uma vaga no próximo Oscar de filme estrangeiro, indicado pela Tailândia; e Hi Tan Hunter – Confidential, de Jeffrey Schwarz, sobre o astro de Hollywood nos anos 1950, contemporâneo de Rock Hudson, George Nader, e outros atores obrigados, pela política dos grandes estúdios, a permanecer no armário. Entre as atrações brasileiras, por melhor que seja A Paixão de JL, de Carlos Nader, já exibido e premiado no É Tudo Verdade, nada supera o excepcional Ralé, de Helena Ignez, há pouco apresentado na Mostra.

Em A Paixão de JL, o talentoso Carlos Nader, de Homem Comum, trabalha sobre vídeos cassetes que o artista José Leonilson gravou a partir de 1990, compondo uma espécie de diário íntimo para abordar sua vida e também os acontecimentos no Brasil e no mundo. Os registros tornaram-se mais urgentes e viscerais quando JL descobriu ser portador do HIV. Ralé assinala nova etapa da parceria da atriz e diretora Helena Ignez com o ator e cantor Ney Matogrosso, após Luz nas Trevas, de 2010. O filme remete, obviamente, à obra homônima do russo Máximo Gorki, mas se trata de uma reinvenção totalmente brasileira. Ney faz um ex-viciado em heroína que realiza rituais à base do chá do Santo Daime. Zé Celso Martinez Corrêa e Djin Sganzerla, filha de Helena, estão no elenco e o filme é pródigo em transgressões comportamentais, sexuais e também de linguagem.

Diretor do Mix Brasil, João Federici destaca que o festival só tem crescido, mas, este ano, passou pelo maior sufoco. Em agosto, perdeu um grande patrocinador, atingido pela crise. Salvou-o a injeção de recursos do Itaú Cultural e, assim, ele pode confirmar que importantes convidados nacionais e internacionais estarão presentes, entre eles (e elas) Carol Queen, ativista pelos direitos da comunidade queer, Daniela Sea (L Word), atriz, cineasta, musicista e ativista americana, Buck Angel, ator, produtor, diretor e ativista da causa trans, Wieland Speck, diretor do Panorama do Festival de Berlim, e a atriz e diretora Karine Teles, que faz a patroa em Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. Todo esse pessoal estará participando das sete mesas que comporão a Conferência Internacional, de 17 a 22, discutindo identidade e orientação sexual, mas também racismo, a questão indígena, a violência contra gays e mulheres.

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