Paramount Pictures
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'Missão Impossível' e filme brasileiro 'Alguma Coisa Assim' estão entre as estreias da semana

Chegam aos cinemas nesta quinta, 26, ainda, ‘A Festa’, ‘Lámen Shop’, ‘Todo Dia’, 'Vinte Anos' e 'Promessa ao Amanhecer'; assista aos trailers

Luiz Carlos Merten e Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

26 Julho 2018 | 06h00

Charlotte Gainsbourg estrela Promessa ao Amanhecer, Tom Cruise segue, firme e forte, com seu Missão Impossível. Já o filme brasileiro Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho, retrata o desenvolvimento de dois personagens ao longo de dez anos, entre São Paulo e Berlim. Abaixo, os longas que entram nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 26. 

‘Missão Impossível’, série não nega fogo

Missão Impossível – Efeito Fallout 

(EUA/2018, 110 min.) Dir. Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise

Pode haver controvérsia quanto ao ranking, mas não há um só filme que não seja bom na série Missão Impossível. Tom Cruise nasceu para ser Ethan Hunt, e basta a carreira ir mal – o horroroso A Múmia – para ele voltar à espionagem e ao coração do público. A trama de Efeito Fallout, sexto filme da franquia, envolve perseguições em Paris e a caça ao plutônio por um cientista maluco. Mas o melhor, nesta loucura toda, é sempre o drama humano. Hunt, a ex-mulher, Julia, a possível namorada, Ilsa. Julia e ele têm um momento de diálogo revelador, que poderia ter sido escrito por Bergman, mas é cortesia do diretor e roteirista Christopher McQuarrie. / L.C.M.

‘Alguma Coisa Assim’, um retrato de juventude

Alguma Coisa Assim

(Brasil, Alemanha/2017, 80 min.)Dir. Esmir Filho, Mariana Bastos. Com Caroline Abras, André Antunes, Clemens Schick

Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho e Mariana Bastos, tem sido chamado de “Boyhood” brasileiro. De fato, guarda alguma semelhança com o filme de Richard Linklater que acompanha o garoto Mason ao longo de 12 anos. Aqui, trata-se da amizade entre dois jovens em três etapas de suas vidas, cobrindo 10 anos.

É montado no aproveitamento de materiais anteriores, dois curtas com os mesmos personagens. A estes, os diretores ajuntaram outro, contemporâneo, fundindo os três. 

Os personagens são Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras). Eles começam por descobrir juntos a noite paulistana (e a si mesmos) e terminam por se reencontrar, anos depois, em Berlim. Lá, Mari trabalha numa empresa corretora de imóveis. Caio chega para desenvolver uma pesquisa universitária em biologia e passam a dividir o teto.

Aliás, tetos, pois Mari, sem o conhecimento da chefe, habita as casas que estão sendo postas à venda ou para alugar. O filme tem ar descolado e vai muito além de ser um lego de curtas – a responsável pela articulação dos episódios é a montadora Caroline Leone, que por esse trabalho ganhou o Troféu Redentor no Festival do Rio. 

Em tom naturalista, Alguma Coisa Assim traça um perfil rápido de uma determinada faixa da juventude, das baladas no Baixo Augusta aos desafios da vida adulta. Tem encanto, e sua espontaneidade aproxima personagens e espectadores. Sente-se mais o frescor da narrativa que tropeções inerentes a um projeto desenvolvido ao longo dos anos e com pegada de work in progress. 

Essa narrativa ágil, sem condescendência com o melodrama apesar da gravidade de algumas situações abordadas, desperta emoção com seu despojamento. Retratos de juventude desse tipo são em geral comoventes. Jogam com a passagem do tempo, esse veneno ácido, implacável para todos. Mesmo com as cidades, pois a São Paulo boêmia e suas transformações não ficam de fora do retrato. A cidade, mais que moldura, é personagem. / L.Z.O.

Charlotte e Niney enriquecem a  nova ‘Promessa’

Promessa ao Amanhecer 

(França/2017, 131 min.)Dir. Eric Barbier. Com Pierre Niney, Charlotte Gainsbourg, Didier Bourdon, Jean-Pierre Darroussin

Em 1970, quando Jules Dassin fez a primeira versão de Promessa ao Amanhecer, Romain Gary ainda estava vivo – matou-se em 1980. Os críticos costumam ser duros com o cineasta, afirmando que Melina Mercouri acelerou sua decadência. Mentira deslavada. Dassin fez ótimos filmes com ela, incluindo Promessa e, se o filme não era melhor, a culpa era do ator que fazia o escritor quando jovem – Assaf Dayan, filho do militar israelense Moshe, nunca foi do ramo.

Há agora uma nova versão, e muito boa. Eric Barbier conta a história de como Romain foi criado pela mãe para ter um futuro glorioso. Houve um momento em que poderia ter sido na carreira militar – ele foi piloto na a 2.ª Guerra. Foi como escritor que se consagrou, embora tenha dirigido filmes como Desejo Insaciável, com a então mulher, a musa Jean Seberg. Ela se matou um ano antes dele. O novo Promessa é ótimo, e o elenco excelente. Pierre Niney e Charlotte Gainsbourg (a mãe) vão prender seu olho na tela. / L.C.M.

Sally Potter faz farsa sobre o mundo político

A Festa / The Party 

(Reino Unido/2017, 75 min.)Dir. Sally Potter. Com Kristin Scott Thomas, Timothy Spall, Patricia Clarkson, Bruno Ganz

Na primeira vez que vemos Janet, a personagem de Kristin Scott-Thomas em Festa, ela aponta a arma para a câmera. Ó céus! O novo filme de Sally Potter, a diretora de Orlando, é uma farsa sobre idealismo, amor, política e sexo. Nesse período pré-eleitoral, pode ser um choque, mas a diretora é muito ‘chic’ quando filma.

‘Janet’ reúne os amigos para comemorar que se tornou ministra. Era para ser uma celebração. Vira tiroteio. Como? A festa azeda quando todo mundo começa a dizer o que pensa e o marido da dona da casa aproveita para fazer uma confissão. Com Kristin estão Timothy Spall, Emily Mortimer, Patricia Clarkson e Cillian Murphy. Um elenco de luxo. / L.C.M.

‘Lamen Shop’ junta culinária e memória

Lámen Shop 

(Japão, Cingapura, França/2018, 89 min.)Dir. Eric Khoo. Com Takumi Saitoh, Seiko Matsuda, Tsuyoshi Ihara 

Masato (Takumi Saitoh) é um jovem cozinheiro japonês que trabalha no restaurante da família. Com a morte do pai, ele decide especular sobre as raízes da família, num road movie afetuoso, mas não isento de conflitos, que o leva em busca de um tio, dono de restaurante, em Cingapura.

Por trás da busca do Lámen perfeito, perfilam-se dores e rivalidades sedimentadas por guerras entre os países, antigas cicatrizes. Simples, delicado e saboroso, Lámen Shop acerta ao calibrar culinária e memória. Bem equilibrada a receita, a redenção servida de sobremesa não parece artificial ou fora de lugar. / L.Z.O.

‘Todo Dia’, previsível alegoria adolescente 

Todo Dia / Every Day 

(Estados Unidos/2017, 95 min.)Dir. Michael Sucsy. Com Angourie Rice, Justice Smith, Owen Teague

Em Todo Dia, de Michael Sucsy, a garota de 16 anos Rihannon (Angourie Rice) estranha quando seu desleixado namorado Justin (Justice Smith) torna-se de repente solícito, atencioso e delicado. Mas tanta civilidade vale só por um dia. E logo Rihannon vai encontrar a razão para a súbita transformação do amado numa entidade benévola capaz de ocupar outros corpos, mas apenas por 24 horas.

Por meio desse apelo ao fantástico, a tentativa é tornar menos bobinhas e previsíveis essas histórias de adolescentes (público que, convenhamos, mereceria coisa melhor do cinema). Mas a boa ideia aos poucos passa a rodar em falso e tudo volta à rotina. Como na própria história. / L.Z.O. 

‘Vinte Anos’, o tempo sin perder la ternura...

Vinte Anos 

(Brasil, Costa Rica/2016, 80 min.)Dir. Alice de Andrade

Em Lua de Mel, Alice de Andrade filmou, em 1993, a história de dez casais cubanos em véspera de casamento. Duas décadas depois volta para ver como estão e o que pensam diante das mudanças ocorridas na ilha. Com olhar caloroso, 20 Anos expõe o passar do tempo naquele país, numa abordagem sem qualquer preconceito. / L.Z.O. 

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