"Missão Impossível 2" é o destaque

Para aproveitar o feriado de amanhã, distribuidores e exibidores antecipam em um dia as estréias de cinema, que habitualmente ocorrem às sextas. Assim, você já pode correr ao cinema mais próximo para assistir ao eletrizante Missão Impossível 2. O 1, dirigido por Brian De Palma, já era legal, mas o 2 é super. Em boa hora, Tom Cruise, que além de astro é o produtor, chamou John Woo para comandar a ação. Woo, que veio de Hong Kong e está cada vez mais integrado em Hollywood, dominando a máquina dos estúdios, está com a corda toda. Teceu uma história mirabolante sobre o roubo do antídoto contra uma praga criada em laboratório e enriqueceu-a com o jogo de caras do seu thriller com Nicolas Cage, A Outra Face. Mocinhos e bandidos estão sempre trocando de caras no filme e isso não é só um recurso para levar adiante a ação, fazendo com que um personagem possa penetrar nos segredos de outro. É a forma de Woo mostrar que mocinhos e bandidos, a velha dicotomia do cinema americano de ação, essencialmente maniqueísta, são como as diferentes faces da mesma moeda. Ambos são opostos que se completam e explicam. Sensacional.É um filmaço, mas se o espectador não reza pela cartilha do cinemão e prefere um cinema mais de "arte" (a verdade é que Missão Impossível 2 não deixa de ser arte - o melhor filme americano do maior diretor de ação da atualidade) não faltam atrações - e das boas. OutraEstréia finalmente Meu Nome É Joe, o filme de Ken Loach que deu a Peter Mullan o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, há dois anos. Loach tem um método todo especial para dirigir atores, retirando deles o melhor. Mas Mullan é realmente genial como o ex-bêbado e desempregado que treina um time de futebol de várzea - cujos jogadores, todos sofríveis, usam as camisetas da gloriosa seleção brasileira do tri.Há mais para ver. Depois de duas semanas de pré-estréias entra em cartaz o belo O Estado do Cão. É uma raridade ? um filme mongol ?, mas não se deixe influenciar pelo exotismo do país de origem. Baseados na crença muito comum na Mongólia de que o cachorro, ao morrer, reencarna como homem, os diretores Peter Brosens e Dorjkhandyn Turmunkh transformaram a história de Baasar numa parábola rica e complexa sobre o significado da vida e da morte e o mistério da existência. Nada menos hollywoodiano do que o tratamento que eles dão ao desenvolvimento da história de O Estado do Cão. É anti-Hollywood total, mas como os caminhos do cinema são múltiplos é possível amar O Estado do Cão e divertir-se intensamente com Missão Impossível 2, no qual John Woo introduz o amor com uma intensidade ausente no primeiro filme.Fãs de Elvis Presley não podem perder Um Estranho Chamado Elvis, de David Winkler, com Harvey Keitel fazendo um homem que se apresenta como o rei do rock e Bridget Fonda como clone de Marilyn Monroe. O protagonista é um certo Byron, interpretado pelo astro de TV Johnathon Schaech. Quando o filme começa ele vaga na estrada da vida num carrão semidestruído e amargurado pela morte da mulher num acidente. Byron reaprende a viver com o estranho chamado Elvis e a amar com a falsa Marilyn e o filme vale especialmente pelo trabalho de Keitel, emplacando em poucas semanas seu terceiro filme em cartaz - o vietnamita Três Estações e Fogo Sagrado.E não se pode esquecer Louise, produção modesta, mas não destituída de interesse, já exibida na Mostra Internacional do ano passado. Interpretado por Elodie Bouchez, a atriz dos ótimos Rosas Selvagens e A Vida Sonhada dos Anjos ? não são muitos os filmes franceses que merecem essa classificação, atualmente -, Louise é assinado por um diretor que se esconde por trás do pseudônimo de Siegfried. Formado na música e com a aparência de hippie, Siegfried está longe de ser um desajustado que perdeu o trem de volta de Woodstock. É inteligente, articulado e fez um pequeno filme curiosamente marginal no cinema francês dos anos 90, que merece atenção. Ele próprio definiu Louise, durante a mostra do ano passado - esteve na cidade como convidado do evento -, como um elogio à école bouissonnière, o gazear de aulas, a vagabundagem. Elodie é Louise, que vive solta pelas ruas de Paris, praticando pequenos furtos com seu grupo, até que surgem dois rapazes que modificam sua vida. Elodie, vale dizer, é uma atriz em torno da qual existe certo culto na França. Interpreta os filmes de Jean-Marc Barr integrados à corrente dinamarquesa do Dogma.Além dessas estréias, há outro filme que entra oficialmente em cartaz só na próxima sexta-feira, dia 30. Só que não é preciso esperar até lá para ver Dinossauro. O desenho da Disney assinado por Ralph Zondag e Eric Leighton terá pré-estréias de amanhã a domingo num extenso circuito, em todo o País. É um prodígio de técnica, com imagens digitais que representam o que há de mais avançado em termos de efeitos computadorizados. Graças a eles, o espectador tem a sensação de ver dinossauros de verdade. O começo é espetacular. Mamãe dinossauro olha o ninho carregado de ovos. Numa série de incidentes, um só ovo escapa da destruição e atravessa mar e ar até ser depositado numa ilha distante, num território habitado por macacos, onde o bebê dinossauro, ao nascer, é adotado por uma fêmea do grupo. Como em Tarzan, A Bela e a Fera e O Corcunda de Notre Dame, a primeira lição de Dinossauro diz respeito à aceitação da diversidade do outro, acrescida da complexidade da vida na natureza de O Rei Leão. O resto é puro Disney - ação, aventura, humor e romance, pois Aladar, o dinossauro que é o herói da história, apaixona-se por Neera. Na versão dublada, Aladar fala com a voz de Fábio Assunção e Neera com a de Malu Mader, mas as maiores atrações da dublagem são mesmo as velhas dinossauras dubladas por duas veteranas da TV brasileira - Hebe Camargo e Nair Bello.

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