EFE/Juan Herrero.
EFE/Juan Herrero.

‘Missão do ator é servir a todos os gêneros’, diz Antonio Banderas

‘Espero ter sido útil’, disse ainda o ator ao receber prêmio no 65º Festival de San Sebastián

EFE

27 de setembro de 2017 | 06h00

O ator, diretor e produtor de cinema Antonio Banderas disse no dia 23, ao receber o Prêmio Nacional de Cinematografia em San Sebastián, Espanha, esperar que “após 37 anos de carreira” seu trabalho “tenha sido útil para alguém”.

“Útil talvez para algum ator de quem arranquei um sorriso, para os que riram comigo e útil para minha terra”, precisou o ator ao receber no 65º Festival de San Sebastián o prêmio de € 30 mil (US$ 35 mil), que doará à Escola Superior de Artes Cênicas de Málaga, sua terra natal.

“Minha carreira poderá fazer sentido quando terminar, isto é, quando eu morrer”, enfatizou, ressalvando que ainda tem “muitas histórias para contar e muitas orelhas para cortar”.

Banderas, de 57 anos, fez um discurso rápido e cheio de humor, que tirou escrito do bolso. Destacou uma a uma as palavras do nome de seu prêmio, detendo-se em “nacional”, segundo ele, a chave para que a premiação seja vista como “séria, contundente e institucional”.

“Vivi os últimos momentos do autoritarismo e os primeiros da liberdade e continuo acreditando no projeto”, afirmou. Para ele, entre os desafios da Espanha estão “sua maravilhosa imperfeição e sua maravilhosa capacidade de superar tudo. Assim, valorizo o título que define esse prêmio como nacional”. “Não gosto de falar de minha carreira, de que fiz de tudo em todos os gêneros, porque considero essa a missão do ator, e fiz isso sob o olhar de diferentes diretores.” Afirmou ainda que “o cinema tem alma própria, que pode ser usada por todos que tenham algo a dizer”.

Banderas deixou o humor de lado para explicar que os melhores prêmios “são os inesperados”, e lembrou de como o céu cinzento de Londres, onde mora, ficou tão luminoso quanto o de Málaga quando lhe disseram que havido sido premiado.

O diretor Carlos Saura, que falou do amigo com grande afeto, garantiu que vai fazer o esperado filme em que Banderas será Picasso – um projeto longamente acalentado que, por fim, segundo Saura, verá a luz.

Banderas viajou da África do Sul, onde trabalhou até a véspera, para receber o prêmio tradicionalmente entregue pelo ministro da Cultura espanhol, no caso, Iñigo Méndez de Vigo, em cerimônia em San Sebastián.

Foi o mesmo festival que viu o primeiro filme de Banderas, Labirinto de Paixões (1982), de Pedro Almodóvar, cineasta com quem também fez Matador (1985), A Lei do Desejo (1986), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Ata-me! (1989), A Pele Que Habito (2011) e Os Amantes Passageiros (2013).

Indicado para três Globos de Ouro e quatro Prêmios Goya do cinema espanhol, ganhou o Goya de Honra em 2015, após o sucesso mundial de filmes como Filadélfia (1993), Entrevista com o Vampiro (1994), Evita (1996) e A Máscara do Zorro (1998). Banderas também já se sentou na cadeira de diretor, com Loucos do Alabama (1999) e El Camino de los Ingleses (2006). Fez sucesso na Broadway com o musical Nine e agora está empenhado em estudar desenho de moda, o que faz junto com o cinema, embora nos últimos meses tenha diminuído o ritmo de trabalho por causa do enfarte que sofreu em janeiro.

Tradução de Roberto Muniz

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