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'Miss Americana' mostra como Taylor Swift se tornou um ser político

Cantora e compositora levou anos para moldar sua própria voz no campo social, mas filme aponta para uma construção sólida e de imenso potencial; cantora esteve na estreia do documentário no Festival de Cinema de Sundance

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2020 | 15h10

PARK CITY, UTAH - Mesmo fãs de música menos afeitos ao campo pop e especialmente a Taylor Swift poderão encontrar beleza no documentário Miss Americana, produção da Netflix e principal atração da noite de abertura do Festival de Cinema de Sundance, nesta quinta-feira, 23 - com a presença da cantora. O documentário chega à plataforma de streaming no dia 31 de janeiro.

Para fazer o filme, a diretora Lana Wilson, vencedora de um Emmy e indicada a dois Independent Spirit Award por documentários anteriores, teve acesso privilegiado a diversos momentos da vida de Taylor nos dois últimos anos, e Miss Americana tem imagens que vão deixar os fãs animados e emocionados ao mesmo tempo, seja quando Swift brinca com os gatos, seja quando compõe músicas em tempo real, no estúdio, transformando improvisos vocais em letras criativas (e que resultariam no seu álbum de 2019, Lover).

Mas o coração do filme mora em outro lugar. Se pega leve com a cantora e compositora em alguns momentos, como quando ela se manteve silenciosa na eleição presidencial americana de 2016 e suscitou um rumor crescente (e falso) de que seria apoiadora de Donald Trump enquanto aproveitava da sua base de fãs LGBT (o chamado “pink money”), Miss Americana também constrói uma narrativa consistente de como ela criou uma voz política própria depois de 2017.

O ponto de virada foi um julgamento de um caso de assédio sexual do qual ela saiu vitoriosa naquele ano. Um júri decidiu que um DJ de fato a apalpou de maneira criminosa em uma sessão de fotos - Taylor pediu uma restituição financeira de US$ 1, mas a vitória na corte a fez acreditar de maneira definitiva de que deveria se posicionar por questões em que acreditava.

Uma das cenas mais pungentes do documentário se dá quando a cantora, na época com 28 anos, debate com parte de sua equipe, mas principalmente com seu pai, se deve divulgar nas redes sociais um texto em apoio ao candidato democrata nas eleições para o Senado americano, em 2018. Seu pai, Scott, diz que “nos últimos 12 anos nós não falamos de política e tudo esteve bem”, e um membro da equipe diz que um posicionamento cortaria a audiência da próxima turnê pela metade.

De maneira decidida, a cantora rebate que a candidata republicana, Marsha Blackburn, votou contra legislações que endureciam penas para agressores domésticos e que também era contra o casamento gay. “Eu não vou aguentar ver outra propagando com ela disfarçando essas políticas como ‘valores cristãos dos Tennessee’. Eu vivo no Tennessee. Eu sou cristã. Não é isso que defendemos.”

Swift comentou a cena no palco do Eccles Theatre, em Park City, onde o Festival de Sundance tem lugar. “Meu pai sempre se preocupou com a minha segurança, ao longo de toda a minha carreira. Há tantas ameaças que sofremos todos os dias e que não vêm a público. Para ele, a questão era sempre o que poderia acontecer comigo.”

Mas ela reforçou que a vitória no tribunal no caso de assédio a ensinou a ser “menos bem comportada”. “Todas as mulheres da minha vida estavam comigo naquela corte”, comentou. “Nossas políticas são o que acontecem conosco ao longo da nossa vida.”

Veja o trailer de 'Miss Americana':

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