Marcos Bonisson
Marcos Bonisson

MIS faz tributo às ousadias do diretor Rogério Sganzerla

Cineasta que morreu há 11 anos será lembrado com filmes, DVD, livro e também debate com sua viúva, Helena Ignez

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2015 | 19h05

Completam-se nesta sexta-feira, dia 9, 11 anos da morte do cineasta Rogério Sganzerla. A data vai ser lembrada por uma mostra no Museu da Imagem e do Som. O MIS vai exibir filmes, promover debate, lançar DVD de um cultuado filme do autor – Copacabana, Mon Amour – e até relançar seu livro Por Um Cinema Sem Limites. Antes de virar diretor, Sganzerla foi crítico e repórter, escrevendo no antigo Suplemento Literário do Estado e no Jornal da Tarde.

Em 1968, explodiu com O Bandido da Luz Vermelha. Virou arauto de novas tendências, à margem do Cinema Novo. Solitário, considerava-se um rompedor de linguagens. Rompeu até com o Cinema Novo, acusando seus notáveis de haverem compactuado com a ditadura militar. Onze anos sem Sganzerla. Sem? Não apenas livro e filme voltam com nova roupagem como nesse período a viúva e musa de Sganzerla, Helena Ignez, dedicou-se a manter acesa sua chama. Fez um filme chamado Baal, cujas ideias e a mise-en-scène teriam agradado ao marido. E realizou o roteiro que ele deixou infilmado, retomando o personagem do Bandido da Luz Vermelha.

O ‘Luz’ foi uma das duas obsessões de Sganzerla. A outra foi o diretor norte-americano Orson Welles, cuja passagem pelo Brasil – deixando inacabado It’s All True – lhe serviu de inspiração para vários filmes. Tudo isso terá de ser discutido no MIS, especialmente no debate de sábado, 10, às 18h50, após a projeção de Abismu, com a participação da eterna musa, Helena, do diretor Joel Pizzini e dos críticos Ruy Gardiner e Inácio Araújo. Para a abertura, às 20 h desta quinta (8), a atração é a versão restaurada de Copacabana Mon Amour.

O longa de 1970 mostra loira oxigenada – Sônia Silk – que sonha ser estrela da Rádio Nacional, mas vive da baixa prostituição em Copacabana. Seu irmão gay ama secretamente o dr. Grilo, para quem trabalha. Para libertá-lo, Sônia só vê uma solução – matar Grilo, mas ela se deixa seduzir pelo falso médico. O próprio Sganzerla definia o filme como uma mistura alucinada de todos os êxtases. E, como novidade, criou o que chamava de stranglascope, uma variação da câmera na mão totalscope, na verdade, uma simples lente fundo de garrafa.

Mais de 40 anos depois, um grupo de autores criou a chamada Operação Sônia Silk, um conjunto de três filmes de baixo orçamento e radical criatividade. Do grupo participa Bruno Safadi, que dirigiu a filha de Sganzerla e Helena, Djin, em Meu Nome É Dindi e também fez o documentário Belair, resgatando a importância da empresa produtora criada por Sganzerla e Julio Bressane. Em apenas quatro meses de 1970, entre fevereiro e maio, a Belair produziu sete filmes, incluindo Copacabana Mon Amour.

MOSTRA ROGÉRIO SGANZERLA

MIS. Av. Europa, 158, 2117-4777. 5ª, 20 h; 6ª e dom., 18h30; sáb., 15h30. Grátis. Até 11/1. 

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