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MIS exibe clássicos do diretor Guillermo del Toro; veja programação

Filmes como 'O Labirinto do Fauno', 'Cronos' e 'A Espinha do Diabo' estarão em cartaz nesta sexta-feira, 13; ingressos já estão à venda

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 10h29

Em 1980, um diretor obscuro fez um pequeno filme que terminou virando cult e rendeu fortunas. Conta a lenda que, na relação custo/benefício, nunca houve obra mais rentável em Hollywood. Sexta-Feira 13 custou cerca de US$ 50 mil e rendeu milhões. Originou uma série e foi, para o bem e para o mal, a primeira delas a se tornar uma instituição cinematográfica. Na trilha aberta pelo diretor Sean Cunningham vários outros diretores fizeram novas séries misturando terror/horror, violência e sexo entre adolescentes. É um dos desejos primitivos do ser humano. Ser surpreendido e assustado. Em condições seguras, numa sala de cinemas, o público jovem começou a esbaldar o Id. E o terror nunca mais foi o mesmo na tela.

Hoje é sexta-feira, 13 e o MIS propõe uma madrugada de terror com os filmes de Guillermo Del Toro. Por que esse dia mexe tanto com o imaginário das pessoas? Por que virou símbolo de má forte? O 13 sempre teve um significado muito forte no imaginário cristão (e no de outras culturas). Na última ceia, Jesus reuniu os 12 apóstolos. Eram 12 à mesa e Judas Iscariotes foi o último a chegar, o 13.º. Sua traição, entregando o mestre, fez dele um maldito. A associação com o número criou o conceito negativo. E existe o dias da semana. Na sexta-feira, Adão e Eva comeram o fruto proibido, começou o dilúvio e Cristo foi crucificado. Junte tudo e estão criadas as condições para um fenômeno conhecido como parasquavedequatriafobia, o medo da sexta-feira 13. Sean Cunningham foi esperto ao se aproveitar disso.

Sexta-Feira 13 passa-se num acampamento de férias. Camp Crystal foi fechado porque, no passado, um adolescente morreu afogado. Agora, será reaberto. Chegam grupos de jovens de todas as partes. Entregam-se a verdadeiras orgias. Os garotos, os homens de maneira geral, são animais sedentos de sexo, mas as garotas também estão ali para realizar suas fantasias. Sem limites - para o sexo. O excesso desencadeia a violência. Ocorre uma carnificina. Quem está matando? O tiete da série sabe. Mrs. Voorhees, a enlouquecida mãe do afogado, que se esconde por trás de uma máscara para vingar o filho. A última batalha é épica. Mrs. Voorhees enfrenta Adrienne King, e a garota não será uma presa fácil como as outras. O final em aberto preparou o caminho para as múltiplas sequências, protagonizadas pelo próprio afogado, Jason, que se revelou um monstro indestrutível.

Depois de Jason, vieram outros assassinos em série. Outros mascarados. O Michael Meyers de Halloween, de John Carpenter.  O Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, de Wes Craven. Esse irrompia no sono dos jovens, transformando sonhos em pesadelos. O rosto derretido compunha sua máscara e ele tinha unhas afiadas feito garras.

Muitos desses filmes estão disponíveis em DVD e Blu-Ray. Estão na internet. No Brasil, José Mojica Marins já antecipara a sexta-feira maldita em algumas aventuras de seu personagem Zé do Caixão, que os norte-americanos transformaram em Coffin Joe. O tempo passou, as séries ficaram ainda mais permissivas e violentas. Chucky, o boneco assassino, jogos mortais. Lá atrás, com os primeiros Dráculas e Frankensteins, o terror era ingênuo no cinema. Nos anos 1940, o produtor Val Lewton fez escola com filmes em que o terror era só sugerido (mas também carregado de significados psicanalíticos). Algo se passou quando, em Psicose, de Alfred Hitchcock, Marion Crane foi assassinada naquele chuveiro. Anos depois, a pequena Regan foi possuída pelo demônio em O Exorcista, de William Friedkin. O terror virou explícito - muito mais explícito a partir de Sexta-feira 13.

Como reação, os códigos tornaram-se cômicos. Surgiram paródias - Pânico, de 1 a10. Sempre a mesma coisa. O jovem permissivo paga com a vida e morre brutalmente. Nessa sexta-feira, o terror instala-se no museu (da Imagem e do Som) com três longas de Guillermo Del Toro. Cronos, A Espinha do Diabo e Labirinto do Fauno. Del Toro não faz terror pelo mero gosto do susto. Seu fantasma, em A Espinha do Diabo e Labirinto do Fauno, é sempre a Guerra Civil espanhola, que foi uma espécie de balão de ensaio para as ideologias totalitárias da 2.ª Guerra.

A Espinha é sobre um órfão, filho de um soldado republicano, enviado para um orfanato que tem a reputação de ser habitado por monstros das sombras. O Labirinto é sobre garota entregue aos cuidados de um militar da Falange. Ele é sádico, ela encontra o fauno que revela sua condição de princesa, mas ela terás de cumprir três tarefas até ser investida como tal. No cinema de Guillermo Del Toro, o pior monstro é sempre o próprio homem. Em Cronos, o protagonista é um colecionador obcecado pelo desejo de imortalidade. Ele encontra uma relíquia, um escaravelho, que poderá lhe abrir as portas do infinito. Abre um portal para o inferno. Três vezes Del Toro na sexta-feira 13. E todas as ofertas de Jason, de Michael Meyers, de Freddy. Os supersticiosos nem vão sair de casa. Que liberem seus monstros, mas só na tela, de brincadeirinha. E boa diversão.

SERVIÇO

Maratona Guillermo del Toro

MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo

Avenida Europa, 158 - Jardim Europa - Oeste

Preço: R$ 14 (inteira)*; R$ 7 (meia-entrada)

Ingressos à venda na recepção do MIS ou pelo site www.ingressorapido.com.br

O Labirinto do Fauno

Cronos

A Espinha do Diabo

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