MIS exibe ciclo de filmes sobre autores franceses

O Museu da Imagem e do Som exibe, a partir de hoje, com apoio do Consulado Geral da França, o ciclo, composto de dez documentários pertencentes ao Ministério de Relações Exteriores da França, que reúne filmes sobre o escritor Albert Camus, o filósofo Jean-Paul Sartre, o cineasta e dramaturgo Jean Cocteau e autores como André Malraux, Saint-Exupéry e Claude Simon.Dos dez documentários, os melhores são os de Camus (hoje), Sartre (dias 18 e 19) e Patrick Modiano (dia 20). Isso não significa que os outros sejam isentos de imagens antológicas e históricas. No documentário sobre André Malraux, por exemplo, a mulher do autor de A Condição Humana, Clara, conta como os dois iniciaram uma breve carreira de arqueólogos amadores, interrompida quando resolveram roubar algumas peças de um santuário sudanês. A troca de posições é constante no ciclo de documentários do MIS. Sartre é retratado como um burguês edipiano sem interesse especial em política até os 40, quando abraçou a primeira causa operária apenas para se vingar do padrasto por lhe ter roubado a mãe. Camus, filho de uma empregada doméstica surda, passou a infância em respeitoso silêncio e sofrendo de tuberculose pulmonar. Historicamente ligado à esquerda argelina, passou a sentir vergonha de sua origem humilde ao iniciar o namoro com a socialite Simone Hié, como revela o documentário da dupla Joel Calmettes e Jean Daniel.Os realizadores concluem que Camus não associava felicidade à riqueza, preferindo defini-la como um estado de inocência infantil. O filme é um ensaio sobre essa busca na obra do escritor de O Estrangeiro e A Peste.De modo geral, a abordagem os documentários do ciclo está longe de ser convencional. Ao tratar da obra ?memorialista? de Patrick Modiano, um autor obcecado pela 2.ª Guerra, a dupla de realizadores Paule Zajdermann e Antoine de Gaudemar tenta esboçar uma tese sobre sua fixação. Como um homem que não viveu a época foi capaz de traduzir tão bem o que foi a França sob a Ocupação alemã? O filme que encerra o ciclo, no dia 22, é um documentário de dez anos atrás, Evasão de Saint-Exupéry, média metragem que mostra o último vôo do criador de O Pequeno Príncipe, em julho de 1944. Nos 60 anos de sua morte, o documentário surge como uma justa homenagem a um autor classificado injustamente como ?menor?, revelando raras imagens do escritor e aviador pouco antes de seu misterioso desaparecimento.

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