Universal Studios
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‘Minions 2: A Origem de Gru’ faz viagem no tempo e volta aos anos 70

Animação segue uma tendência dos estúdios de retornar ao passado e mostra o início da parceria dos minions com Gru

Matheus Mans, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2022 | 17h45

Foi em 2012, momento em que a animação era governada por princesas, personagens de videogames e animais falantes, que a Illumination Entertainment trouxe aos cinemas um grupo de personagens inusitados: um estranho vilão narigudo, cercado por criaturas amarelas, que, enquanto comete suas maldades, precisa cuidar de três crianças. Era Meu Malvado Favorito, longa-metragem que bateu mais de US$ 500 milhões em bilheteria no mundo, ganhou continuações e chega ao seu quinto filme com Minions 2: A Origem de Gru.

Estreia dos cinemas desta quinta-feira, 30, o longa faz exatamente o que a franquia paralela de Meu Malvado Favorito se propõe: rechear o universo de Gru e de seus capangas amarelos. Enquanto Minions mostrou detalhes sobre o que são essas criaturas e os vilões que usaram de seus serviços antes de Gru, Minions 2: A Origem de Gru traz exatamente a história de como foi a relação inicial entre eles e o protagonista de Meu Malvado Favorito. Detalhe: eles estão nos anos 1970 e Gru é só uma criança com leves sinais de calvície. 

Com isso, o filme faz um movimento que se torna cada vez mais recorrente no cinema: explicar origens, assim como aconteceu em Cruella e Coringa. Hoje, não basta apenas aproveitar histórias e se contentar com uma ou outra cena que comenta como aquele personagem chegou ali. Agora, estúdios exploram ao máximo essas possibilidades e viajam no tempo para contar todos os detalhes das figuras mais queridas – sobretudo das crianças. Isso sem falar dos personagens secundários apresentados, como um jovem dr. Nefário. 

O investimento nessas histórias é visto com tranquilidade no nome do elenco por trás do trabalho de voz. Steve Carell (The Office) volta mais uma vez como Gru, enquanto o francês Pierre Coffin (diretor de Meu Malvado Favorito) comprova que é a única voz possível dos minions. Entre os inimigos do pequeno Gru e dos minions, chamados de Sexteto Sinistro, estão atores como Alan Arkin, Taraji P. Henson, Jean-Claude Van Damme, Lucy Lawless, Dolph Lundgren e Danny Trejo. O filme ainda conta com Julie Andrews como a mãe de Gru.

Essa busca em explorar ao máximo uma franquia que já tem 12 anos, e apostar em um elenco com esse peso, só mostra como ela é importante para a Illumination Entertainment e, até mesmo, para a Universal Pictures, dona da marca. Enquanto a Disney continua a dominar o mercado de animação, apesar do recente fracasso de Lightyear, a Illumination não consegue encontrar outra franquia tão forte quanto Meu Malvado Favorito, com Sing e Pets obtendo apenas resultados satisfatórios e sem conquistar fãs ávidos.

As histórias de Gru e os minions, enquanto isso, são marcantes: depois do primeiro filme ter batido os US$ 500 milhões, as continuações seguiram crescendo. Meu Malvado Favorito 2 fez US$ 970,8 milhões, enquanto o terceiro capítulo chegou à casa de US$ 1 bilhão. Minions, em 2015, é o maior sucesso até o momento, com US$ 1,1 bilhão. No atual momento do cinema, em que só Top Gun: Maverick chegou à cifra mágica, é difícil pensar em Minions 2 batendo o bilhão. No entanto, dá para bater Sonic 2 e seus US$ 400 milhões. 

Esse resultado também deve ser decisivo para a continuidade ou não da franquia. Até o momento, a Universal Pictures não disse nada sobre novos filmes da saga dos minions. No entanto, Meu Malvado Favorito 4 já está engatilhado, com estreia prevista para 23 de julho de 2024 nos cinemas dos Estados Unidos. Já a franquia dos minions precisará mostrar sua resiliência em um momento em que o streaming e a alta de contaminações por covid surgem como os verdadeiros vilões de uma franquia cansada de criar bons antagonistas.

Apesar das piadas repetidas, filme diverte o público 

É natural que o quinto filme de uma franquia, mesmo que seja dividida em duas linhas distintas, apresente certo cansaço. Isso aconteceu com A Era do Gelo, Shrek, Madagascar e, até mesmo, com Toy Story. É preciso saber o momento de parar. Em Minions 2: A Origem de Gru, esse cansaço aparece de diferentes formas: nas piadas repetidas das criaturas amarelas, nas mesmas histórias envolvendo Gru, nos vilões que já não surpreendem mais.

No entanto, apesar desses problemas no meio do caminho, é surpreendente como os mesmos personagens ainda conseguem divertir o público, em uma resiliência rara do cinema de animação. Um minion que decide trocar um medalhão poderoso por uma pedra com olhos, por exemplo, rende boas gargalhadas. Assim como o momento em que Bob, Kevin e Stuart aprendem kung fu, com toda a dificuldade desse corpo em forma de feijão. 

Crianças, em período de férias escolares, certamente passarão bons momentos no cinema e vão sair da sala escura gostando ainda mais desses personagens. Além disso, a história é uma boa saída da Illumination Entertainment para encontrar um novo público, já que aquelas crianças que foram assistir a Meu Malvado Favorito nos cinemas, há 12 anos, já estão crescidas e provavelmente não querem mais saber de minions, Gru e companhia. 

Por fim, os pais também podem respirar aliviados, já que Minions 2: A Origem de Gru está longe de ser uma história apenas para crianças. Mesmo sem qualquer mensagem excessivamente adulta, como acontece nos filmes da Pixar, o longa deve divertir os mais velhos com boas referências aos anos 1970, seja no visual ou na trilha mais do que acertada, com Diana Ross, Lipps Inc. e até mesmo uma versão de Desafinado.

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