MinC faz balanço sobre cinema nos anos FH

A Secretaria do Audiovisual doMinistério da Cultura acaba de divulgar o balanço do cinema naera Fernando Henrique Cardoso. O relatório, coordenado pelosecretário José Álvaro Moisés, tem 89 páginas, gráficos e anexose considera o período entre 1995 e outubro de 2002.Nesse período, compreendido como o da "retomada" do cinemanacional, o governo estima que ajudou a produzir 1.199 filmes:190 longas-metragens, 669 curtas-metragens e 340 documentários.Em oito anos, investiu R$ 646 milhões nessa produção, um aportede recursos que também teria possibilitado o surgimento de"cerca de 60 novos cineastas e a conquista de mais de 200prêmios em festivais nacionais e internacionais". É preciso frisar, no entanto, que desses R$ 646 milhões,apenas R$ 75 milhões (cerca de 12% do total) saíram diretamentedos bolsos do governo. O restante veio da renúncia fiscal,sistema amparado em duas leis (Lei Rouanet e Lei doAudiovisual). Dos 190 longas relacionados, 3 foram indicados para o Oscar demelhor filme estrangeiro. Para o governo, o porcentual de filmeslançados quintuplicou entre 1995 e 2002. Outro resultado apresentado como positivo foi o aumentodo público brasileiro nas salas de cinema para assistir a filmesnacionais. De 36 mil espectadores em 1992, o Brasil passou paraquase 7 milhões de espectadores em 2001. Houve também significativo aumento do volume deinvestimentos em projetos audiovisuais cinematográficos,crescendo de R$ 27 milhões, em 1995, para R$ 112 milhões em2001. Somente nos três primeiros anos do governo do presidenteFernando Henrique Cardoso foram investidos mais de R$ 230milhões no setor e, nos oito anos de governo, o total de R$ 646milhões investidos representou um aumento de mais 50%(comparando-se com os recursos investidos em 12 anos deexistência pela Embrafilme). Os anos mais generosos com o cinema brasileiro foram1997 e 1998. Neste último ano, o filme O Que É Isso,Companheiro?, de Bruno Barreto, foi indicado para o Oscar, eCoração Iluminado, de Hector Babenco, foi concorrente noFestival de Cannes. De 1995 a 2002, o Ministério da Cultura empenhou-se,através da ação de sua Secretaria do Audiovisual, no fomento ena difusão do audiovisual e do cinema no País. Para tanto,definiu-se, em primeiro lugar, a meta prioritária de elevar aparticipação do produto brasileiro no mercado de exibiçãonacional de 0,05%, em 1992, para 20%, em 2003, meta ultrapassadase se levar em conta o número de filmes nacionais lançados noperíodo em relação ao número de lançamentos estrangeiros. Em suas ponderações finais, o relatório considera que aatuação do governo Fernando Henrique Cardoso mudousignificativamente a situação do setor cinematográfico no País."Cresceu a produção de filmes brasileiros, aumentou a suavisibilidade e melhorou a sua qualidade. Foi uma história deêxito, que, em conseqüência, trouxe novas realidades, inclusive,a percepção de novos problemas - a exemplo da questão dadistribuição dos filmes nacionais -, e isso, entre outras coisas mostrou que era necessário o estabelecimento de uma novarelação entre o Estado, o cinema e a iniciativa privada." Segundo a secretaria, a conseqüência disso foi a criação em 2001, da Agência Nacional do Cinema - Ancine - levando a umanova definição de papéis dos órgãos do Estado dedicadas aocinema. Na verdade, a criação da Ancine decorre de umareivindicação organizada dos produtores e cineastas, quepressionaram o governo para a instituição da agência. "Nesta nova divisão de papéis, cabe à Secretaria doAudiovisual a responsabilidade pela dimensão propriamentecultural da atividade audiovisual no País", conclui o texto.Esse novo arcabouço de funções pede definição mais precisa, jáque, desde meados do mês, é a Ancine que decide sobre osprojetos a serem incentivados pelas leis de incentivo.O cinema na era FH em númerosForam lançados apenas 7 filmes nacionais em 1990; em 1993, asituação era ainda pior, com apenas 3 lançamentos; em 2002, oscinemas fecharão o ano com 35 lançamentos nacionais.O governo Fernando Henrique Cardoso investiu, nos trêsprimeiros anos da sua primeira gestão, R$ 230 milhões no cinema;ao final de 8 anos, o total chega a R$ 646 milhões.Foram feitos 190 longas-metragens, 669 curtas-metragens e 340documentários.De 36 mil espectadores que o cinema nacional teve em 1992, oBrasil passou para cerca de 7 milhões de espectadores em 2001.O número de salas de cinema no País pulou de 1.488 (em 1990)para 1.650 (em 2002), embora esse fenômeno tenha a ver com ainstalação no País dos cinemas do tipo multiplex.Em 1992, era de apenas 1,27% a taxa de ocupação do mercado deexibição pelo produto cinematográfico nacional; em 2002, taxasuperava os 26%.O público para o cinema estrangeiro caiu de 1991 (92 milhões)para 2002 (78 milhões até outubro).

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