Fox
Fox

Milo Ventimiglia mostra no cinema e na TV seu talento para emocionar o público

Indicado 3 vezes para o prêmio Emmy, o ator Milo Ventimiglia fala sobre o filme ‘Meu Amigo Enzo’, que estreia nesta quinta, 8, e sobre a série 'This Is Us' com seu personagem carismático Jack Pearson; veja trailer do filme

Kathryn Shattuck, The New York Times

06 de agosto de 2019 | 03h00
Atualizado 07 de agosto de 2019 | 11h05

Milo Ventimiglia sabe alguma coisa sobre o poder de um bom choro. Afinal, durante três temporadas ele despertou a choradeira como Jack Pearson, o marido e pai ineficiente, que morre depois de salvar um cachorro de um incêndio, na série This Is Us

Agora chega o filme Meu Amigo Enzo, que estreia na quinta, 8, no qual ele faz o papel de Denny Swift, um piloto de corrida com habilidade especial para dirigir na chuva e um sujeito devotado à família e o fiel dono de Enzo, um golden retriever decidido a aprender as grandes lições da vida para renascer como ser humano quando morrer.

Deixe fora a caixa de Kleenex. Duas. “Acho que sou uma pessoa afortunada o bastante para participar de projetos que mexem com emoções que talvez precisemos sentir no momento”, disse Ventimiglia.

Baseado no best-seller de Garth Stein, A Arte de Correr na Chuva (Ediouro) de 2008, Meu Amigo Enzo acelera em algumas curvas fechadas quando Denny se apaixona por Eve (Amanda Seyfried) e tem uma filha, Zoe, (Ryan Kiera Armstrong), e depois vê sua felicidade ameaçada quando sua mulher adoece. Enzo (na voz de Kevin Costner), prisioneiro do ruído dos motores e do vento em seu pelo, narra a corrida com a sabedoria de um filósofo desde filhote até sua reta final na pista.

Ventimiglia tem três outras temporadas para derramarmos lágrimas até a última gota com This Is Us e, recentemente, recebeu mais uma indicação para o Emmy, junto com Sterling K. Brown, que interpreta seu filho Randall.

“Éramos só sorrisos, eu e Sterling na outra noite porque por três anos consecutivos fomos indicados e ele conquistou um nesses três anos”, afirmou ele. “É fantástico.”

Falando por telefone de Los Angeles, depois de encerrar o primeiro episódio da quarta temporada, Ventimiglia, de 42 anos, explicou por que suas ambições não têm a ver com conquistar muitas estatuetas de ouro – e isso ele aprendeu com os cães.

Como é atuar diante de um animal?

Técnico, muito técnico. Os animais são diferentes. Eles têm um ponto A e um ponto B específicos e normalmente um prêmio no final de cada tomada. Quando começamos a gravar o filme tive algumas longas conversas com os adestradores, pedi a opinião deles para me ajudar a lidar com um parceiro de cena. E criamos um relacionamento que eu pessoalmente tive com nossos cães. Temos dois cães heróis: Parker, de dois anos, que faz o papel do Enzo mais jovem, e Butler, de nove anos, que é o Enzo mais velho, muitos filhotes e três cães auxiliares, um para correr, outro para latir e um apenas para passatempo. Sou o tipo de ator carente. Necessito de um parceiro de cena para sentir o que tenho de sentir. Não consigo fingir. E na verdade Butler e Parker foram parceiros receptivos.

E eles reagiram a você enquanto personagem?

Sim, havia momentos em que Denny ficava estressado, nervoso, e Parker, que era muito sensível, ficava muito, mas muito alterado. Ele era muito sensível ao que eu estava sentindo, assim procurei encontrar uma maneira de ele entender que estava tudo OK. E, antes de cada tomada, eu sussurrava na sua orelha e conversava com ele como se fosse outra pessoa, para lembrá-lo se nas próximas cenas eu perdia a calma ou precisava estar frustrado ou se necessitava de alguma atenção da parte dele.

Enzo está aprendendo lições da vida se preparando para renascer como humano. Você aprendeu alguma coisa trabalhando com os cães?

Paciência. Ir mais devagar. Seguir meu instinto. Às vezes, isso leva à comida. Estar com um cão, que vê as coisas de maneira muito simples, é um bom lembrete de que não temos de complicar a vida.

Li que uma das perguntas mais formuladas no Google sobre Jack Pearson é se homens como ele realmente existem. E Denny também é um marido e um pai muito bom para ser verdade. Na vida real, você se sente pressionado a ser esse tipo de homem?

Sim, há uma pressão e uma responsabilidade, mas acho também que eles têm alguma coisa emprestada de mim e de outros homens que admiro. Não sou uma pessoa sem defeitos, mas tento representar aqueles sujeitos bons que existem por aí. Muita gente tem me falado: “Sou casada com um Jack Pearson real”, ou então “Quero encontrar um Jack Pearson”. Acho que elevar o nível de exigência é muito bom porque estamos tentando fazer com que os homens sejam melhores e que nossos parceiros sejam melhores e é exatamente o que necessitamos hoje.

Sua mulher na TV, Mandy Moore, recentemente deixou escapar que houve uma grande reviravolta na trama no início da quarta temporada. Você pode dar uma dica do que devemos aguardar?

Sou um pouco mais Fort Knox do que Mandy Moore (risos). Mas ela não está errada. Há uma grande reviravolta. Não sei nem se é uma reviravolta, quanto mais revelar o que está por vir.

Numa série repleta de reviravoltas, qual foi a sua favorita?

Costumo relembrar a cena original de Jack morrendo. Acho que foi genial. E depois a primeira, em que é revelado que são uma família. Acho que foi um estratagema muito bonito que Dan Fogelman (criador da série) usou ao conectar essas pessoas que pareciam ter compartilhado apenas um aniversário.

Você reprisou seu primeiro grande papel, como Jess Mariano, o inquieto namorado de Rory, na sequência de Gilmore Girls, de 2016. Há planos de uma nova rodada?

Amy Sherman-Palladino e Dan Palladino estão muito ocupados com uma série excelente que vêm produzindo para a Amazon chamada The Marvelous Mrs. Maisel, da qual sou um grande fã. Portanto, acho que eles vão ficar nos “anos 50” por algum tempo. Mas nunca se sabe.

Você convidou Sylvester Stallone para This Is Us depois que interpretou o filho dele em Rocky Balboa e Creed 2. Devemos esperar mais dessa relação?

Não sei, mas não seria uma surpresa. Acho que abrir o universo de Rocky Balboa é bom, porque não há ninguém como Sly. Ele é incrível. É uma força, mas é também um ser receptivo e motiva um bom trabalho. No segundo em que as câmeras começam a rodar, ele está ali olhando você no olho. É uma experiência única como um ator que sempre procuro imitar – vivendo as vidas desses homens que represento, tornando-os reais e então processar essa emoção, processar o que é essa vida, para um público da melhor forma possível no momento em que as câmeras estão rodando.

A propósito, congratulações por sua indicação para o Emmy por This Is Us. Esta terceira vez vai dar sorte?

Quem sabe? Talvez eu seja a nova Susan Lucci da TV (que ganhou o Emmy após 19 indicações consecutivas para melhor atriz). Mas espere, e o que tem de mau nisso? Ela é uma atriz e apresentadora de TV fascinante que foi constantemente indicada durante anos e anos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.