Milhares fazem homenagem a Theo Van Gogh

Mais de dez mil pessoas se reuniram hoje no centro de Amsterdã em protesto contra a violência, em uma homenagem ao cineasta Theo Van Gogh, assassinado hoje numa rua da cidade. A multidão usou cornetas e apitos, além bater com panelas em seu protesto. "Nós não vamos nos reunir para um momento de silêncio, mas para dizer em voz alta e clara: prezamos a liberdade de expressão, e ela deve continuar", disse o prefeito da cidade, Job Cohen.Parente distante do famoso artista do século 19 Vincent Van Gogh, Theo foi assassinado hoje, diante de um escritório do governo holandês. Era cineasta, cronista e escritor. Dirigiu cerca de 20 filmes, vários polêmicos e publicou três livros. Tinha 47 anos. Cineasta, produtor de TV e colunista de jornais, Theo Van Gogh era uma figura controversa. Sua morte aconteceu em um momento de crescimento das tensões na Holanda, onde muitos culpam a minoria muçulmana, formada principalmente por imigrantes, pela crescente taxa de violência. Os muçulmanos, por outro lado, dizem que novas leis anti-imigração e antiterrorismo são discriminatórias contra eles. A polícia diz que Van Gogh levou dois tiros enquanto pedalava por uma rua de Amsterdã. O atacante atirou nele mais vezes à queima roupa antes de esfaqueá-lo e deixar um bilhete sobre seu corpo. O controvertido cineasta era conhecido por suas críticas ao tratamento dispensado às mulheres na sociedade islâmica, que aparece em seu filme de 2004, Submission. O longa é baseado em um roteiro de uma parlamentar liberal de origem somali, Ayaan Hirsi Ali, que defende as mulheres contra a rigidez do islamismo. Van Gogh dizia ter recebido diversas ameaças de morte depois da exibição do filme.A polícia prendeu um homem de dupla nacionalidade, holandesa e marroquina, de 26 anos, suspeito de ser o assassino do cineasta após um tiroteio. O homem, cuja identidade não foi revelada, ficou com um ferimento na perna, e um policial foi levemente ferido. O ministro da justiça da Holanda Piet Hein Donner disse que o suspeito "agiu com a convicção de um radical fundamentalista islâmico" e disse ainda que ele tinha contatos com um grupo que estava sendo observado pelo serviço secreto holandês.

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