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Mickey Rooney foi forçado a vestir a carapuça do bom menino

Foi muito melhor ator do que a maioria dos papéis que a ditadura dos estúdios lhe outorgou

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2014 | 12h56

Deve ter sido vingança – durante anos, décadas, Mickey Rooney foi forçado a vestir a carapuça do bom menino e, depois, do bom rapaz, desde que participou, na Metro, das séries Our Gang e Judge Hardy’s Children. Em O Inimigo Número Um, em 1957 – aos 35 ou 37 anos, pois há controvérsia se nasceu em 23 de setembro de 1922 ou 20 –, o diretor Don Siegel deu-lhe o papel do lendário Baby Face Nelson e ele assumiu com gosto a persona do mais sádico dos gangsteres. Baby Nelson era um monstro, e Mickey Rooney foi fundo na caracterização. Para os críticos, foi outra demonstração de que o eterno menino era mesmo um ator.

Mickey Rooney nasceu Joe Yuli Jr em Nova York. Foi Louis B. Mayer quem lhe deu o nome pelo qual se tornou conhecido. Ele tinha 4 ou 5 anos quando integrou o elenco da série Our Gang, com outros talentos infantis da casa. Emprestado à Warner, fez filmes de certa importância, incluindo Sonhos de Uma Noite de Verão, de Max Reinhardt, antes de voltar à Metro para a série do juiz Hardy. Contracenou com uma certa Judy Garland, que depois cantaria Over the Rainbow – em O Mágico de Oz, de 1939 – e viraria a estrela que todo mundo sabe.

Andy Hardy popularizou Mickey, mas também colou nele como uma camisa de força. O garoto era casto, um anjinho. Rooney diria mais tarde que o que todos sempre esperavam dele prejudicou seu casamento com Ava Gardner, que ainda não era o furacão em que se converteu em seguida. Estiveram casados durante um ano. Não podia dar certo. Anos depois de Inimigo Público, em 1961, ele interpretou um japonês em Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards, sendo seu personagem um dos cruzavam o caminho da excêntricas Holly Golightley (Audrey Hepburn).

Rooney ensaiou a direção e fez uma versão insólita do paraíso e da história de Adão e Eva, em que se reservou o papel do Diabo. Prejudicou-o o fato de ter mantido a cara de bebê, num físico que foi se transformando de forma acelerada – está ocorrendo um fenômeno parecido, mas o público e Hollywood parecem não ligar, com Leonardo DiCaprio. Mickey Rooney tinha 91 ou 93 anos. A causa da morte não foi anunciada. O certo é que ele foi muito melhor ator do que a maioria dos papéis que a ditadura dos estúdios lhe outorgou.

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