Craig Barritt/Disney
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Mickey é homenageado por 16 artistas em exposição em Nova York

Personagem criado por Walt Disney completa 90 anos

Tonica Chagas, Especial para o Estado

11 Novembro 2018 | 06h00

NOVA YORK - Primeiro filme de animação sincronizada com música e efeitos sonoros, Steamboat Willie, estrelado por Mickey Mouse, estreou em 18 de novembro de 1928 no Colony Theater, o atual Broadway Theatre, em Nova York. Entre incontáveis festas e lançamentos de produtos pelo mundo afora, os 90 anos do personagem criado por Walt Disney (1901-1966), que mudou também a história do desenho animado, são celebrados na cidade com a exposição Mickey: The True Original Exhibition. Chamados a criar obras inspiradas no camundongo de orelhas talvez tão conhecidas quanto o sorriso da Mona Lisa, 16 artistas produziram esculturas, desenhos, vídeos e fotografias especialmente para a exposição, que poderá ser vista até 10 de fevereiro.

Instalada num galpão com cerca de 1.500 metros quadrados no Chelsea, região onde se concentram dezenas de galerias de arte, Mickey: The True Original Exhibition tem estrutura de exposição de arte com perfil das atrações dos parques temáticos da Disney, onde o conteúdo é agradável a adultos e crianças. Recriações de momentos históricos da de Mickey estão entre as obras dos artistas e brincadeiras interativas; roupas, brinquedos e outros produtos são vendidos numa loja acessível também a compradores que não visitem a exposição e onde se pode personalizar camisetas, bonés e uma variedade de outros itens.

Embora conste no calendário americano como o Dia Nacional do Mickey e seja considerado assim nas promoções da Disney, 18 de novembro de 1928 não é exatamente a data de nascimento do camundongo que originou um dos maiores impérios mundiais de entretenimento. Ele foi o substituto de um coelho chamado Oswald, criado para o produtor e distribuidor de filmes Charles Mintz e sobre o qual Walt Disney perdeu os direitos. O coelho que virou camundongo nasceu mudo em 1928, pouco antes de Steamboat Willie, no curta Plane Crazy, lançado no ano seguinte. À entrada das galerias, uma réplica da estatueta dourada do Oscar e a fotografia de Walt Disney com o certificado da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas lembram o prêmio honorário concedido ao cartunista, em 1932, pela criação de Mickey Mouse. 

Nas próximas dez salas são exibidos trechos de outros filmes estrelados pelo ratinho, há instalações baseadas no barco a vapor de Steamboat Willie e na série original do Clube do Mickey, transmitida entre 1955 e 1959 nos Estados Unidos. Keith Haring (1958-1990), um dos grandes grafiteiros atuantes em Nova York na década de 1980, é um dos artistas com espaço destacado. Para Haring, Mickey era “um símbolo da América mais do que qualquer outra coisa.”

Os artistas contemporâneos que participam da exposição produziram trabalhos baseados em cenas de filmes com Mickey Mouse ou usaram o personagem para interpretações particulares sobre ele. Em Hiding Mickey, Daniel Arsham, que utiliza elementos de arquitetura, performance e escultura, criou um rato de grandes proporções que avança e estica uma parede, tudo em branco. London Kaye, que se tornou conhecida por colocar sua arte nas ruas de Nova York cobrindo de crochê objetos como lixeiras, postes ou bicicletas, trabalhou cerca de três meses com suas agulhas e ocupa uma das salas, do chão ao teto, com uma instalação inspirada em A Banda do Barulho (The Band Concert), de 1935 e o primeiro filme de Mickey em cores. Na mesma linha artesanal de London, o espanhol Javier Sánchez Medina esculpiu as mãos enluvadas e características de Mickey com grama, bambu e outras plantas, usando técnicas aprendidas com o pai e o avô, que faziam persianas.

O trabalho manual minucioso é homenageado numa instalação que representa a passagem do período de desenhos em preto e branco – como Plane Crazy e Building a Building, de 1933 e colorizado mais tarde a fim de ser exibido na televisão – para os filmes em tecnicolor. Potes de tinta colorida cobrem paredes de um corredor onde, em grandes fotografias com mudanças de luzes coloridas, são homenageadas as mulheres do departamento de pintura dos Estúdios Disney que, nas décadas de 1930 e 1940, davam vida aos desenhos feitos a lápis sobre folhas transparentes de celuloide.

O inglês Oliver Clegg usou cadeiras de madeira como tela para pintar Well, So Long! I'll Be Seeing Ya!, visto na sala dedicada a Aprendiz de Feiticeiro, um dos oito segmentos de Fantasia, que estreou em 1940 e se tornou um dos filmes clássicos de animação. Darren Romanelli, designer e diretor de criação de coleções personalizadas de roupas, móveis e objetos colecionáveis, que convidou os artistas a participarem da exposição, incluiu nela um trabalho próprio. Cobriu de grandes retalhos de tecido estampado de Mickeys um Mickey com cerca dois metros de altura que domina a sala com exemplos de peças colecionáveis lançadas ao longo das nove décadas de história do personagem. 

Na última galeria, sobre uma página com esboços originais do Mickey original, ainda de rosto afilado e nariz comprido, lê-se a frase mais famosas do seu criador: “Só espero que nunca percamos de vista uma coisa – que tudo começou com um camundongo.”

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Mickey Mouse completa 90 anos fora das bancas brasileiras

Personagem criado por Walt Disney e Ub Iwerks inspira TV, cinema, quadrinhos e games até hoje

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 06h00

Walt Disney havia emplacado seu maior sucesso em 1927, quando criou o coelho Oswald – com fortes inspirações de quadrinhos e animações da época como Krazy Kat e o Gato Félix. Os direitos do personagem, todavia, ficaram com seu produtor, Charles Mintz. No ano seguinte, Disney e seu desenhista, Ub Iwerks, tentariam a sorte novamente com um camundongo, mas mantendo os direitos dele para seu estúdio. Foi então que surgiu um dos mais importantes personagens infantis de todos os tempos.

Mickey Mouse é uma influência para tudo, desde a animação no cinema e na TV, todo tipo de quadrinhos, caricaturas”, afirma o ilustrador italiano radicado na Austrália Thomas Campi. “Ele foi um dos primeiros personagens de seu tipo, inaugurou toda uma era e foi copiado por diversas criações que vieram mais tarde. Não há palavras para descrever o quão influente ele foi. Não importa se você gosta da Disney, ele foi superimportante.”

O quadrinista brasileiro Ivan Reis já assinou edições nacionais de gibis do Mickey, e destaca a maneira como desenhistas ao redor do planeta impuseram suas próprias marcas ao longo dos últimos 90 anos para ajudar a moldar o traço do personagem. “O principal contato que eu tive com o Mickey foi pela parte artística, nem tanto pelas narrativas, porque os desenhistas europeus chamavam muita atenção esteticamente. Principalmente o [quadrinista italiano Giorgio] Cavazzano, que ainda é uma referência no estilo do personagem. Eu adorava ver a capacidade artística de estilização e simplificação que ele conseguia impor mantendo o desenho rico”, analisa o artista. “ Deixar de ter o personagem publicado é uma notícia muito triste para o mercado em geral”, lamenta o quadrinista.

O colecionador Ivan Freitas, curador da exposição Quadrinhos, que abre essa semana no MIS, comenta o recente término da publicação dos gibis do Mickey no Brasil. “Até pela longevidade, ele é muito importante para o quadrinho brasileiro. Todo mundo leu. São quadrinhos que ficaram nas bancas durante muito tempo até recentemente, infelizmente. No imaginário do brasileiro, tem a questão dos parques da Disney como sonho de consumo da classe média geração após geração. O término das publicações da Disney pela Abril causou comoção além do mercado de leitores regulares de quadrinhos, porque esses personagens têm uma grande penetração no País.”

Em 2006, a Disney adquiriu os direitos de Oswald, e o coelho antagonizou a série de videogames Epic Mickey, em que o camundongo vai parar em uma espécie de reino dos desenhos esquecidos governado pelo rival. No final, Mickey venceu Oswald. Esperamos que ele também supere a crise que o deixou de fora das bancas brasileiras. 

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