Michael Moore radiografa saúde dos EUA em 'Sicko'

Segundo o diretor de 'Tiros em Columbine', 47 milhões de norte-americanos não têm seguro de saúde

Neusa Barbosa, da Reuters,

08 de março de 2006 | 13h14

Depois de analisar a violência em Tiros em Columbine, que lhe deu o Oscar de documentário em 2003, e o governo George W. Bush em Fahrenheit - 11 de Setembro, o documentarista Michael Moore volta suas críticas contra o sistema de saúde norte-americano em Sicko - $O$ Saúde.   Veja também: Trailer de 'Sicko - $O$ Saúde'  O diretor faz uma radiografia assustadora: segundo ele, aproximadamente 47 milhões de norte-americanos não têm seguro de saúde, nem qualquer condição de obter este item, que é privado e caro. No filme, que entra em circuito nacional nesta sexta-feira, 7, há casos realmente impressionantes, como o do casal de jornalistas que foram à ruína depois do câncer que acometeu a mulher, o que os levou a morar de favor no porão da casa de um de seus filhos. Ou o de outra mulher, cujo marido morreu aos poucos diante de seus olhos, pela negativa de seu seguro de saúde de cobrir um transplante de medula - que foi classificado como "tratamento experimental". Há também o caso de alguns voluntários que participaram do socorro às vítimas do 11 de Setembro e que hoje não encontram atendimento para sequelas respiratórias e outras doenças. O motivo é não serem nem bombeiros, nem policiais, sendo, na prática, "punidos" por terem se prontificado a trabalhar sem serem obrigados profissionalmente a isto. Moore percorre países capitalistas onde o sistema de saúde é socializado, como a Inglaterra, o Canadá e a França, encontrando alguns exemplos de que é possível manter um atendimento de massa e de qualidade. O ponto alto é a viagem a Cuba, que rendeu problemas na justiça dos EUA para Moore. O cineasta lota um navio de pacientes desprotegidos pelo sistema privado de saúde norte-americano e dirige-se primeiramente à base de Guantánamo, enclave dentro de Cuba onde as autoridades dos EUA mantêm os prisioneiros suspeitos de terrorismo e de pertencerem à Al-Qaeda. Moore revela que mesmo estes prisioneiros, apontados como vítimas de violações de direitos humanos por organismos internacionais, ironicamente recebem assistência médica gratuita do governo norte-americano, ao contrário dos cidadãos de seu próprio país. Evidentemente, o navio de Moore não recebe autorização para descer na base militar e dirige-se à Cuba socialista de Fidel Castro - onde a medicina é totalmente gratuita para qualquer pessoa. Lá, os pacientes norte-americanos recebem diagnósticos, tratamentos e medicamentos, a preços ridiculamente inferiores aos praticados nas farmácias dos EUA. Não raro, o estilo marqueteiro de Moore leva-o a ser criticado mesmo por seus colegas. Entretanto, é inegável que seus trabalhos se tornaram um dos mais eficientes contrapontos à grande mídia norte-americana nos mais diversos assuntos, especialmente os políticos.

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