Michael Moore inflama Cannes com ataques a Bush

Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, já era assunto em Cannes muito antes de sua exibição. Desde o veto da Disney, que proibiu a subsidiária Miramax de distribuí-lo, o novo filme do diretor de Tiros em Columbine já levantava expectativa. Hoje, em sua primeira sessão no festival francês, Fahrenheit 9/11 inflamou a platéia, foi calorosamente aplaudido e pôs o cineasta na briga pela Palma de Ouro.O filme é uma contundente crítica ao presidente norte-americano George W. Bush. Reitera acusações que ligam a família de Bush à do terrorista saudita Osama bin Laden e reforça as críticas de que a Casa Branca pouco fez para impedir os ataques de 11 de setembro de 2001. Compila fortes imagens da guerra no Iraque, mostrando as baixas em ambos os lados e explorando o fato de que a grande maioria de soldados americanos vêm das camadas mais pobres da população. Se for lançado no verão americano, como pretende seu diretor, dá munição à campanha do democrata John Kerry na corrida presidencial contra o republicano Bush.O título do trabalho de Moore faz referência a Fahrenheit 451. A obra de Ray Bradbury indicava a temperatura em se queimavam livros em uma sociedade fictícia. No filme de Moore, trata-se da "temperatura de combustão da liberdade". Começa com uma recapitulação da campanha presidencial de 2000, com destaque para a apertada e polêmica decisão no Estado da Flórida. Passa depois aos atentados - sem imagens da destruição do WTC -, examina laços financeiros entre os Bush e a família de Bin Laden e analisa os planos dos EUA para o Iraque pós-Saddam como um campo fértil de oportunidades empresariais para os aliados de Bush.Os ataques de Moore continuam fora das telas. Depois de acusar a Disney de boicotá-lo, o diretor disse que a própria Casa Branca tem trabalhado para barrar seu filme no mercado americano até as eleições de novembro. Não deu nomes, mas garantiu que um alto líder republicano tem pressionado empresas para que não lancem o filme. Depois do veto da Disney, a Miramax resolveu assumir os direitos de Fahrenheit 9/11 para tentar lançá-lo por meio de uma outra distribuidora.Em entrevista coletiva após a sessão, o diretor comentou o eventual impacto de seu filme nos Estados Unidos. "Se vai influenciar a eleição? Eu espero apenas que influencie as pessoas a se tornarem melhores cidadãos", disse. "Deixo para os outros avaliar seu impacto na eleição." Ao contrário de seus filmes anteriores, o personagem Michael Moore, cujas provocações costumam servir de costura, aparece pouco na tela. "O material não precisa de ajuda. Já é forte o suficiente", disse. "Mas é claramente a minha voz, minha visão, o modo como eu vejo as coisas. E o meu senso de humor."

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