Michael Moore agradece ao povo do Brasil em coletiva

Em vez de dar as tradicionais entrevistas individuais para divulgação de seu filme na imprensa internacional, o cineasta Michael Moore reuniu 80 jornalistas estrangeiros na tarde de terça-feira, em Nova York, para uma entrevista coletiva, durante a qual reafirmou que a missão de seu documentário, Fahrenheit 11/9, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, é tirar George W. Bush da Casa Branca e, se possível, ao ser exibido pelo mundo, fazer que algo parecido aconteça com todos os mandatários que apóiam o presidente americano na Guerra do Iraque.Na entrevista, Moore fez referência especial ao Brasil, que prefere mandar jogadores de futebol se apresentarem no conturbado Haiti em troca da entrega de armas. "Quero agradecer ao povo brasileiro por não fazer parte dessa coalizão", disse ele, referindo-se aos países que juntaram suas tropas às americanas sob o pretexto de evitar que Saddam Hussein usasse armas de destruição em massa. "Sei que houve muita pressão e imagino o que pode ter sido negado em termos de ajuda como resultado de o País não ter entrado nessa guerra." Fahrenheit 11/9 faz críticas severas ao governo Bush (especialmente à Guerra do Iraque) e à imprensa a americana. No filme, Moore salienta como os jovens americanos pobres acabam entrando no Exército, são mandados para a guerra e viram bucha de canhão por falta de emprego. O documentário custou US$ 6 milhões (cerca de R$ 18 milhões) e estreou nos EUA e no Canadá em 25 de junho. Desde então, vem batendo recordes. Na semana passada, chegou a 1.725 salas de cinema e somou quase US$ 61,2 milhões em ingressos vendidos, podendo tornar-se o primeiro documentário a alcançar a casa dos US$ 100 milhões em bilheteria. O filme está disponível para download gratuito na internet pelo site Moore Watch . O site critica o ponto de vista de Moore e colocou o filme na Web para testar a reação do cineasta, que disse que não criará qualquer empecilho legal para os internautas que quiserem assistir ao filme. Três cadeias de cinema estão se recusando a exibir o filme. Duas delas dizem que duvidam das informações que ele traz e apóiam os soldados que estão na guerra. "Esse não é o espírito democrático americano", devolveu Moore. "Devemos mostrar todos os pontos de vista para que as pessoas formem sua opinião. Quarenta por cento do povo americano ainda acredita que Saddam Hussein teve alguma coisa a ver com o 11 de setembro. Bem, mas isso é menos que 70%. Uma vez que se mostre a verdade, o povo chega à sua conclusão." Para rebater as críticas de que o filme é uma peça de propaganda que deturpa fatos, Moore anunciou que, nos próximos dias, vai colocar em seu website (www.michaelmoore.com) cerca de 30 páginas indicando suas fontes de informação. Ele nega que o filme tenha intenção de ganhar eleitores para o democrata John Kerry, que não era candidato quando começou a fazer o filme e votou a favor da Guerra do Iraque. Moore espera que os 50% da população americana que não se interessa em votar mude de opinião por causa de seu filme. Em entrevista a respeitada revista Time, o cineasta definiu seu filme como um produto jornalístico, não político. "Este é um trabalho jornalístico, mas é jornalismo da página de opiniões", disse o diretor. "É minha opinião, baseada em fatos. Minha opinião pode estar certa ou errada. Vamos discutir isso, vamos debater. Mas os fatos que apresento neste filme são fatos e são irrefutáveis."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.