Mia Farrow critica Spielberg por ´afastar olhar´ de Darfur

A atriz americana Mia Farrow criticou o cineasta Steven Spielberg e quatro empresas que patrocinam a Olimpíada de Pequim e acusou as posições que a China toma quando o assunto é Darfur. Em artigo publicado no The Wall Street Journal nesta quinta-feira, 29, Mia acusou a China de "financiar o genocídio de Darfur" e convocou Spielberg e os patrocinadores a "somarem suas vozes aos chamados recentes por uma ação da China para pôr fim ao massacre". Spielberg faz parte da equipe de produção da cerimônia de abertura da Olimpíada, que acontece em agosto de 2008, e a Coca-Cola, Johnson & Johnson, General Electric e McDonald´s estão entre as patrocinadoras do Comitê Olímpico Internacional (COI). "O fato de tantas empresas patrocinadoras quererem que o mundo afaste seu olhar dessa atrocidade durante a Olimpíada já é ruim o suficiente", escreveu Mia, que é embaixadora da boa vontade da Unicef. "Igualmente decepcionante é a decisão de artistas como o diretor Steven Spielberg de limpar a imagem de Pequim." ´Fim ao massacre´ A China fornece armas ao Sudão e tem enormes investimentos petrolíferos no país. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que seu engajamento no Sudão frustra as tentativas de pôr fim à guerra civil e às atrocidades cometidas em Darfur. "Pequim está perfeitamente posicionada para pôr fim ao massacre, mas, até agora, tem se recusado a fazê-lo", escreveu a atriz. "Hoje há uma coisa que a China talvez valorize mais do que seu acesso irrestrito ao petróleo sudanês: a realização bem sucedida da Olimpíada de 2008." "Apenas esse desejo pode proporcionar uma possibilidade de alavancagem com um país que, com essa exceção, vem se mostrando indiferente a todas as críticas." China rebate críticas Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Qin Gang, não tinha tomado conhecimento do artigo, mas disse que pessoas que fazem críticas dessa natureza não estão familiarizadas com a política chinesa em relação a Darfur. "A China compartilha as mesmas metas que outros países da comunidade internacional e vem fazendo esforços incansáveis nesse sentido", disse ele em coletiva de imprensa na quinta-feira. O porta-voz acrescentou que a China deseja ver a situação humanitária na região dilacerada por conflitos melhorar. "Não consideramos correto vincular a questão de Darfur aos Jogos Olímpicos em Pequim", disse ele. Na semana passada o candidato presidencial francês François Beyrou conclamou a um boicote dos Jogos Olímpicos se a China mantiver sua posição atual em relação a Darfur, e sua rival Ségolène Royal pediu "pressão" sobre Pequim. "Gostaríamos também de destacar que, se algumas pessoas vinculam a questão de Darfur aos Jogos Olímpicos para tentar conquistar votos ou prestígio, estão totalmente equivocadas", disse Qin.

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