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México conquista Berlinale com 'Güeros'

'Minha inspiração foi a história real de Bob Dylan', conta diretor

Gemma Casadevall , EFE

11 de fevereiro de 2014 | 13h57

O cinema mexicano estreou muito bem na Berlinale com Güeros, filme dirigido por Alfonso Ruizpalacios e definido pelo cineasta como um “canto à amizade” em formato de road movie, tendo em segundo plano as manifestações juvenis pelo direito à educação.

O festival recebeu com entusiasmo a trama do filme em branco e preto, que mostra três amigos que deixam para trás uma casa caindo aos pedaços e sem eletricidade para pegar a estrada a bordo de um carro, igualmente caindo aos pedaços, em busca de um cantor agonizante, ídolo da geração anterior.

“Quando os temos diante dos olhos, os heróis se revelam muito diferentes de como os imaginamos”, comentou Ruizpalacios ao final da projeção, sob o impacto da recepção dada ao seu filme, exibido na sessão Panorama.

Güeros é seu primeiro longa-metragem, “e este é meu primeiro contato com a Alemanha”, explicou o diretor, falando de um filme que percorre as tumultuadas assembleias universitárias - com excelente domínio de câmera em meio a centenas de alunos - de 1999 até se encaminhar para o antigo local onde dormia Epigmenio Cruz, o velho cantor.

“Minha inspiração foi a história real de Bob Dylan, que em certa ocasião fez uma grande viagem para visitar um ídolo do folk que estava morrendo e cuja voz o tinha comovido até as lágrimas”, prosseguiu o diretor, nascido na Cidade do México em 1978.

Trata-se de um filme feito “entre amigos”, disse ele, protagonizado por um trio de jovens atores - Tenoch Huerta, Sebastián Aguirre e Leonardo Ortizgris - e a inevitável “mocinha” - Ilse Salas -, fazendo uma deliberada homenagem à nouvelle vague.

Güeros encerrou um dia que já tinha recebido um primeiro toque mexicano com a atriz Dolores Heredia, protagonista de La Voie de l’Enemie ao lado de Forest Whitaker. O filme é dirigido pelo franco-argentino Rachid Bouchereb.

O longa, um dentre os 20 que disputam os ursos, tem como foco o personagem de um detento - Whitaker - que é colocado em liberdade condicional depois de passar metade da vida encarcerado, acusado da morte de um policial e outros crimes.

Whitaker, um gigante negro convertido ao islã, fixa sua tenção na bela funcionária do banco - Dolores - e conquista o apoio da sua agente de liberdade condicional - Brenda Blethyn - na tentativa de refazer a própria vida.

Os esforços para reformular sua existência esbarram no revanchismo do xerife local - Harvey Keitel - e a perseguição de um traficante - Luis Guzmán -, empenhado em convencê-lo a voltar a trabalhar para ele.

“Trata-se de um filme com uma narrativa distinta, uma cadência bastante peculiar, muitos silêncios, poucos diálogos”, explicou Dolores a respeito do filme, um remake de Two Men in Town, dos anos 1970, rodado no Novo México.

O filme toca no tema da imigração ilegal para os Estados Unidos, assunto que também figura em outro filme que mostra a realidade mexicana, Los Ángeles, do diretor americano Damian John Harper, exibido na seção Fórum.

Filmado em Santa Ana del Valle em espanhol e zapoteca, Los Ángeles tem como tema jovens que sonham em viajar ao país vizinho, de onde voltam, muitos anos depois, para descobrir que se converteram em estranhos em seu próprio lar.

O México estará presente na programação da Berlinale com César Chávez, filme de produção americana e dirigido pelo mexicano Diego Luna, com foco na vida deste ativista defensor dos camponeses sem documentos.

A presença mexicana no festival termina com Bim, Bam, Boom. Las Muchachas Morenas, de Marie Losier, exibido no Forum Expansed, e também Somos Mari Pepa, de Samuel Kishi Leopo, na sessão Generation, destinada ao público juvenil.

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