"Meu Tio Matou Um Cara" estréia em 120 salas

O diretor Jorge Furtado toma de assalto 120 salas de todo o País com seu novo longa, Meu Tio Matou Um Cara. O filme é aquilo que se pode chamar de obra de encomenda - mas autoral. Guel Arraes, com quem Jorge tem trabalhado na TV, propôs ao diretor que tirasse um filme do conto que publicou em 2002. Jorge respondeu que topava, desde que Guel escrevesse o roteiro com ele. São de Furtado obras como o curta que é uma das obras-primas do cinema brasileiro, Ilha das Flores; Fraternidade e os longas Houve Uma Vez Dois Verões e O Homem Que Copiava.Logo na abertura de seu novo filme, o tio Éder, interpretado por Lázaro Ramos, irrompe no apartamento dizendo que matou um cara. O impacto sobre a família é imenso - e mais ainda sobre o sobrinho interpretado por Darlan Cunha, de Cidade de Deus e da série de TV Cidade dos Homens. Ele se chama Duca e não acredita que o tio tenha matado o marido da amante - uma participação para lá de sexy de Deborah Secco.Duca resolve investigar. "O crime de Meu Tio Matou Um Cara é o meu McGuffin", ele explica, usando a expressão a que o mestre do suspense, Alfred Hitchcock, recorria como motor de seus relatos. O McGuffin desencadeia os processos de Hitchcock, mas em geral não é importante e é até esquecido, lá pelas tantas. O que importa é o que se superpõe ao McGuffin. No caso de Jorge, é o seu olhar sobre a juventude, suas inquietações e vicissitudes (crises de amor ou de identidade). Duca ama sua colega Isa (Sophia Reis, filha do titã Nando Reis), mas ela já está ficando com Kid (Renan Gioelli), que desbunda por Deborah. Meu Tio Matou Um Cara foi filmado em Porto Alegre, mas a cidade não chega a ser identificada. Foi intencional - trabalhando com cariocas (Darlan Cunha), paulistas (Ailton Graça, Sophia Reis e Renan Gioelli), baianos (Lázaro Ramos) e paraenses (Dira Paes), além de atores gaúchos, a falta de uma localização precisa ajudou o cineasta a resolver o problema sempre delicado dos sotaques. Todo mundo fala como quer e ninguém compromete. Tem ainda a música - Jorge chamou Caetano, que trouxe André Moraes e o introduziu no rap, um universo musical (e comportamental) que o diretor não conhecia, mas adotou. A Fox aposta no sucesso. Jorge, prudente, não aposta mas espera que ele venha.

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