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‘Meu Passado Me Condena 2’ tem enredo que se passa em Portugal e ganha circuito maior

Fábio Porchat afirma que o ‘filme vai adiante do primeiro; a trama é mais firme e forte’

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 04h00

RIO - Parece a clássica piada de português. Não está no filme, e foi contada ao repórter pela diretora Júlia Rezende na rodada de entrevistas – junket, como dizem os norte-americanos – que precede o lançamento de Meu Passado Me Condena 2, na próxima quinta-feira, 2. O filme estreia em 600 salas. O 1 estreou em 400 e estourou, fazendo 3,5 milhões de espectadores. Com o aumento de salas vem também a expectativa de mais público, mas a produtora Mariza Leão mantém os pés no chão. “O ano está bom para Hollywood, difícil para o cinema brasileiro, mas o filme e seus personagens já existem no imaginário do público e isso deve ajudar bastante.”

De volta à piada, para não perder o timing, o filme passa-se em Portugal, no interior da ‘terrinha’. Numa cena, Miá Mello dispara a cavalgar e, literalmente, cai do cavalo. Uma dublê (portuguesa) foi providenciada para a cena. Roda uma, duas, três vezes e não dá certo. O encarregado da produção chega para a diretora – “Cá temos um problema”. Pois, pois? “A dublê sabe cair do cavalo, mas não sabe andar, não cavalga.” Miá terminou fazendo a cena, a cavalgada. A dublê caiu. Júlia Rezende ficou preocupadíssima com a cena, mesmo breve. Sua irmã Maria Rezende, montadora, desempenha sua função enquanto Júlia filma. A diretora viu a montagem, aprovou. “É assim que trabalhamos. A Maria, às vezes, sugere e, trabalhando rapidamente, permite que a gente avalie o resultado”, explica.

Meu Passado Me Condena. Antes de falar do 2, é bom falar da franquia. “Começamos como série na TV, houve o filme, a peça que está há muito tempo em cartaz, um livro que acaba de sair, mais TV e o 2. No 1, a aposta era se ia dar certo, a passagem da televisão para o cinema. A franquia está consolidada. Só não podemos errar. Fiz a minha parte da melhor maneira que pude”, avalia a diretora. “Agora, é com eles.” Eles, no caso, a produtora, sua mãe, os distribuidores e exibidores, todos com prática nessas comédias blockbusters que estouram na bilheteria (nem todas...) e deixam os críticos à beira de um ataque de nervos.

“O primeiro filme tinha um elemento novo. Era o casal em lua de mel, em fase de se conhecer e tendo as primeiras brigas no transatlântico. Passaram-se três anos de convivência, é a primeira grande crise. Os dois já tiveram tempo de se conhecer, de se decepcionar. A separação vira um fantasma presente. Pelo que pude constatar nas pré-estreias, o público tem embarcado na história do casal. Teve até gente que chora, no fim”, diz Júlia Rezende.

Como assim, chorar num filme com Fábio Porchat? “É, sim. Tem gente que chora mesmo”, provoca o ator. Fábio virou um fenômeno de comunicação. Está na TV, no cinema, no teatro – no jornal (como cronista do Estado). Como ele faz para se multiplicar? “Pois é, tenho um monte de clones”, faz graça. “Não, de verdade, gosto dessa correria, acho estimulante. Agora mesmo, estou somando a tudo isso o roteiro de Porta dos Fundos – O Filme, para filmar no segundo semestre. Já estamos no terceiro tratamento, e está muito bacana.” O plural engloba SBF, que já foi ‘cúmplice’ de Fábio em Entre Abelhas. O filme-cabeça da dupla, o drama ‘de arte’ do Fábio, fez 500 mil espectadores, mais do que muita comédia planejada para estourar. 

Meu Passado Me Condena 2 estreia com o novo Exterminador. A distribuidora não pensou em mudar a data, para não trombar com Arnold Schwarzenegger? “Eles é que tinham de mudar”, brada o confiante Fábio. “Vamos... o Schwarzenegger.” Os três pontinhos ficam para você preencher – o verbo em questão é bem forte (impróprio para menores de 18 anos; Meu Passado 2 tem censura até 12 anos, é bom ressaltar). 

A produtora Mariza Leão espera que o filme seja um estouro. Papo de crítico – a talentosa Júlia adora falar de relações. É o tema embutido em todos os seus filmes. Além de Meu Passado 1 e 2, Júlia fez Ponte Aérea, seu melhor filme, o mais pessoal, o Todas as Mulheres do Mundo de sua geração. Era um filme pequeno. Fez 36 mil espectadores, 1% de Meu Passado Me Condena. Ela confessa que se decepcionou – esperava uns 100 mil, pelo menos. Mas não luta contra a realidade do mercado. Arrebenta de novo com Meu Passado 2? Com Fábio (e Miá), tudo é possível.

ENTREVISTA - Fábio Porchat, ator

Fábio Porchat está em todas, é sucesso em todas as mídias. Na entrevista, ele conta como foi fazer Meu Passado 2.

Como foi filmar em Portugal?

Eles têm técnicos notáveis e a comida no set era deliciosa. Para completar, os portugueses têm o hábito de tomar vinho no almoço. Foi demais.

Qual o diferencial do segundo filme para você?

Tenho a impressão de que a Júlia (Rezende, diretora) conseguiu ir adiante do primeiro filme com uma história mais firme e forte. Esse filme não é uma operação caça-níqueis, tipo ‘Já que faturou, vamos insistir no filão’. Na verdade, todos nós temos convivido tanto com esses personagens que eles já fazem parte da gente. Não faria sentido estragar o que é bom.

Houve improvisação no set?

A Júlia vai dizer que houve menos. Mas é que o processo todo foi participativo. Miá Mello (e eu) demos uns pitacos no roteiro, depois a gente fez leitura e, em todas essas fases, ia aprimorando. No set, era só seguir o roteiro, mas, claro, a gente colocava uns tacos. Não é como na peça. Quem viu no começo, se for rever, verá outra coisa. Muda a cada dia. O que não funciona hoje a gente tenta aprimorar para que amanhã fique perfeito. E assim tem sido.

Como anda a experiência como cronista do ‘Estado’?

Tenho uma resposta muito boa, muito positiva dos leitores. A coluna repercute, e isso é ótimo. Mas tenho de confessar que o leitor número um é meu pai. Ele sempre foi leitor do Estadão e agora tem o maior orgulho de ter o filho como cronista do seu jornal favorito. / L.C.M.

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