Jennifer Becerra/EFE
Jennifer Becerra/EFE

'Meu Malvado Favorito 3' diverte com tramas paralelas inteligentes

Novo vilão mescla visual de George Michael com Freddie Mercury

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2017 | 16h00

Em todo o mundo, a franquia Meu Malvado Favorito já rendeu mais de US$ 2 bilhões, incluindo o filme só com os Minions. É sucesso para ninguém botar defeito e a distribuidora Universal aposta num grande sucesso para o Malvado 3, que estreou na quinta, 29. No terceiro filme, é impossível falar em originalidade, mas o filme não nega fogo como animação para crianças e adultos. A garotada adora os minions, e os amarelinhos não vão decepcionar. No momento em que Gru descobre possuir um irmão gêmeo - Dru - que quer ser um vilão maior que ele, e que Lucy assume seu lado ‘mãe’, os amarelinhos estão com a corda toda, maléficos como só eles sabem ser. Insatisfeitos com seu mestre, os minions saem atrás de um novo líder no seu irrefreável desejo de servir ao mal.

E surge Balthazar Bratt, que é o verdadeiro vilão desse terceiro segmento. É hilário. Vamos logo acrescentando que será uma experiência muito interessante ver o filme dublado. Leandro Hassum, que dubla Gru, cria agora outra persona para Dru - bem diversa da que Steve Carrell constrói para o personagem, no original -, mas o grande achado talvez seja a participação de Evandro Mesquita dando voz a Balthazar Bratt. Ele foi um astro mirim nos anos 1980 e agora quer se vingar de todos aqueles que considera responsáveis pelo ocaso de sua carreira, isto é - Hollywood. O plano de Balthazar é destruir a chamada ‘meca do cinema’ com um ataque maciço de... goma de mascar. Para isso, ele rouba um diamante que acionará um robô com seu nome, e a engenhoca disparará raios de laser e a tal ‘swimming gum’ contra a capital do cinemão.

Para os adultos, Balthazar revela a surpresa - ele tem trilha musical própria no filme, e só se expressa por meio de clássicos do pop, o que alimenta a autoironia. É como se a nostalgia de Bratt, que vive no passado, estivesse sendo subvertida pelo tom paródico que o relato adota em relação a ele. A própria construção epidérmica do personagem já o define. Bratt é um híbrido - o visual é de George Michael com bigodes de Freddie Mercury e os passinhos de Michael Jackson. Nada disso é realmente novo, mas os diretores Pierre Coffin e Kyle Balda mostram que não há franquia que não possa ser renovada com inteligência.

Coffin está na série desde o começo, com Chris Renaud, que participou do 2 e agora foi substituído. Balda veio da Pixar e codirigiu o filme dos minions com Coffin. E o desafio dos dois é justamente esse - como fazer cinema de mercado, mantendo o interesse de um público ávido por novidade? Justamente dosando o que o espectador, adulto ou mirim, gosta na série (Gru, minions) e acrescentando elementos novos. Como produto de consumo, que é, Meu Malvado 3 incorpora, sem pudor, referências e citações de Star Wars, Sing e Procurando Nemo. Gru lamenta-se porque perde o emprego, e Dru tenta trazê-lo de volta para o lado escuro (do Mal, senão da Força). Essa espécie de familiaridade é essencial, mas talvez, para se explicar o sucesso da série Meu Malvado Favorito se deva recorrer a outra explicação.

A companhia produtora Illumination mistura slapstick (pastelão) com sentimentos, o que é próprio da animação norte-americana, mas com um visual que assimila experiências europeias - no traço, principalmente. E a Illumination Entertainment faz sua aposta na vilania. Os minions, na sua patética devoção ao mal, estão longe de ser politicamente corretos. É o que os torna tão divertidos e cativantes.

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