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Mestres e emergentes competem pelo Urso no Festival de Berlim

George Clooney é uma das figuras mais aguardadas, que exibirá fora de concurso 'The Monument Men'

EFE

31 Janeiro 2014 | 17h22

Aos Ursos da 64ª edição do Festival de Cinema de Berlim (Berlinale) se lançarão cineastas consagrados como Alain Resnais e talentos emergentes da América Latina e da Ásia, duas cinematografias mimadas por um festival que reserva sua aposta midiática a um amigo da casa, George Clooney.

O diretor do Festival, Dieter Kosslick, parece confiar no diretor e ator americano para encher por si só o tapete vermelho, que será estendido de 6 a 16 de fevereiro, 10 dias de cinema intenso em que se projetarão 409 filmes.

“Devíamos ter Clooney no nosso quadro de pessoal”, ironizou Kosslick ao apresentar o programa do festival, em alusão à assiduidade com que ele acode a Berlim, seja durante o festival, seja para rodar seus filmes. Ele talvez seja a presença mais esperada, mas não é a única: estão anunciados também Pierce Brosnan, Matt Damon, Catherine Deneuve, Charlotte Gainsbourg , Bruno Ganz, Uma Thurman, Viggo Mortensen, Martin Scorsese e Ken Loach, que receberá o Urso de Ouro de Honra. 

Scorsese apresentará um documentário, enquanto Clooney exibirá fora de concurso The Monument Men, baseado na história de uma unidade aliada consagrada a resgatar obras de arte espoliadas pelos nazistas. O desfile de vinte aspirantes ao Urso – sobre os quais decidirá o júri presidido pelo produtor James Schamus – abrirá com The Grand Budapest Hotel, dirigido por Wes Anderson e protagonizado por Ralph Fiennes, centrado na figura de um porteiro deste célebre hotel.

Trata-se de uma produção britânico-alemã enquadrada no que Kosllick define como filmes que remetem ao europeu recente, neste caso os anos 20 e 30, antes do choque do nazismo. Com Anderson, competem o argelino-francês Rachid Bouchareb com La voie de l`enemie, interpretado por Forest Whitaker e Harvey Keitel, em torno de um preso convertido ao Islã. O veterano Resnais apresentará em Aimer, boire e chanter, um grupo de amigos, com Sabine Azéma e André Dussollier, entre outros, reunido ante a morte iminente de um deles.

Outro habitué deste festival, Richard Linklater, trará Patricia Arquette e Ethan Hawke como um casal à beira do divórcio em Boyhood. A aposta de Kosslick centra-se no cinema latino-americano e asiático, cada um com quatro representantes, o mesmo número de filmes que o cinema alemão, com filmes de Edward Berger, Dietrich Brüggermann, Feo Aladag e Dominik Graf.

A peruana Claudia Llosa, Urso de Ouro em 2009 com La Teta Assustada, volta com a produção hispano-canadense-francesa Aloft, rodada em inglês com Jennifer Connelly como protagonista. O brasileiro Karim Aïnouz compete com Praia do Futuro, um filme enfaticamente destacado por Kosslick e sustentado por Wagner Moura (Tropa de Elite) no papel de um salva-vidas de praia que irá do seu Brasil a Berlim envolvido numa história de amor homossexual.

A argentina Celina Murga volta ao Festival com La tercera orilla, seu terceiro longa-metragem depois de apresentar em 2012 seu documentário Escuela normal. O filme apresenta a história de um rapaz em conflito, um dos eixos temáticos deste festival. O quatro concorrente latino-americano é seu compatriota Benjamin Naishta, que estreia com Historia del miedo, uma exploração do pavor extremo desde o microcosmo de um bairro fechado.

Llosa, Aïnouz e Naishtat são a evidência do mimo com que o festival trata o cinema latino, e os dois filmes argentinos contaram com financiamento do World Cinema Fund do festival. O bom cinema jovem latino-americano costuma sair do festival com prêmio, mas neste ano ele enfrentará uma dura concorrência de outras das “paixões” regionais do festival, a Ásia. Ali estarão o japonês Yoji Yamada, outro habitué do festival, e até três fitas chinesas: Bai Ri Yan Huo, de Yinan Diao; Tui Na, de Ye Lou; e Wu Ren Qu, de Hao Ning.

Todas representam a geração emergente asiática que deslumbra Berlim, onde, pela primeira vez em anos não haverá nenhum filme iraniano na competição, outra cinematografia propensa a levar o ouro. “É casualidade. Selecionamos entre o que temos, o que está no ponto para o festival e o que nos atrai”, explicou Kosslick, na sua explicação oficial sobre esta e outras ausências.

O Festival de Cinema de Berlim pretende estender o tapete vermelho por igual tanto para as estrelas como para o cinema político ou social, que estará representado pelo grego Stratos, de Yannis Economides, reflexo de uma “nova miséria” – segundo Kosslick – que aflorou na zona do euro. Para os amantes de Lars von Triers haverá, fora de concurso, a versão completa de Nymphomaniac Volumen I, um estudo exaustivo em que Gainsbourg dá vida a uma mulher rotulada como ninfomaníaca. TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK 

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