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Mesmo com problemas de som, Cine PE mostra a diversidade da produção brasileira

Edição de 2015 do festival pernambucano termina nesta sexta, 8

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 18h49

RECIFE - Iniciado no fim de semana passado - em presença de John Madden, que veio mostrar O Exótico Hotel Marigold 2 -, o 19.º Cine PE já apresentou algumas coisas interessantes, e outras nem tanto. O festival esteve sempre a cavalo entre as cidades do Recife e Olinda. Antes, a sede era no Recife e as projeções no Centro de Convenções de Olinda, transformado em Cine-Teatro Guararapes. Este ano, a crise da economia levou a um radical enxugamento de custos. O Centro de Convenções ficou proibitivo. O festival alojou-se no Cine São Luiz, no Centro do Recife, mas os convidados e imprensa estão agora em Olinda.

Tem havido problemas de projeção - de som, principalmente -, por mais que a organização tenha se esforçado para dotar a sala de uma projeção digital adequada. Vários diretores já se queixaram. O festival não se isenta, mas diz que o problema muitas vezes está na própria captação. Com curadoria de Rodrigo Fonseca, a seleção tem buscado um equilíbrio entre documentários e ficções. Para o gosto pessoal do repórter, o melhor filme até agora - o festival termina na noite desta sexta-feira, 8 - está sendo o curta documentário Bajado, de Marcelo Pinheiro, sobre o artista do Recife. Mas o Cine PE, como sempre, abre uma janela para a diversidade da produção brasileira contemporânea.

Não só brasileira. À noite desta quinta-feira, numa sessão extra, será exibido o longa Cavalo Dinheiro, do português Pedro Costa, um dos autores mais cultuados pelas novas gerações de críticos do País (e do mundo). O filme deveria ter sido exibido na segunda-feira, mas houve problemas com o código digital da produção e a sessão foi cancelada. Também nesta quinta-feira passa O Amuleto, com Bruna Linzmayer e Maria Fernanda Cândido, que assinala a incursão do talentoso Jefferson De pelo cinema de gênero. O Amuleto estreia ainda este mês nas salas. É raro que filmes exibidos em festivais cheguem tão cedo ao circuito. Também devem estrear Permanência, de Leonardo Lacca, com Irandhyr Santos, que dialoga de forma muito criativa com Obra, de Gregorio Graziosi, e o curioso é que Graziosi foi consultor no roteiro; e O Vendedor de Passados, de Lula Buarque de Hollanda, com Lázaro Ramos e Alinne Moraes.

Baseado no livro de José Eduardo Agualusa, não deixa de ser uma metáfora do cinema. Inaudível na sessão oficial, o documentário Aqui Deste Lugar, de Sérgio Machado e Fernando Lobo, parte do Bolsa Família para retratar a família brasileira e uma nova geração de garotos e garotas que ontem passavam fome e hoje se permitem sonhar. Foi o debate mais tenso no Recife, porque nele aflorou a rejeição da classe média ao governo da presidente Dilma.

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