Danny Moloshok/Reuters
Danny Moloshok/Reuters

Mesmo com medo de fazer comédia, Rachel McAdams estrela ‘A Noite do Jogo’

A eterna Regina George de ‘Meninas Malvadas’ está no longa, que estreia no Brasil em maio, ao lado de Jason Bateman

Dave Izkoff  , The New York Times

25 Março 2018 | 06h00

Antes da Rachel McAdams indicada para o Oscar e da atriz durona de filmes como Spotlight – Segredos Revelados e de séries de TV como True Detective, antes da Rachel McAdams rainha do romantismo e estrela de Diário de Uma Paixão e Te Amarei para Sempre, Rachel McAdams já chamava a atenção por suas performances em comédias como Garota Veneno (em que vai parar no corpo de Rob Schneider) e Meninas Malvadas (no papel de Regina George, a cruel abelha-rainha de uma escola secundária). 

Há um lado da versátil atriz canadense de 39 anos que emerge em A Noite do Jogo (Game Night), dirigido por Jonathan Goldstein e John Francis Daley, que deve estrear no Brasil no dia 10 de maio, a nova comédia da Warner Bros. em que ela faz com Jason Bateman (Max) um casal competitivo, cujo costumeiro programa semanal com amigos – geralmente dedicado a charadas e a jogar Trivial Pursuit – toma de repente o inesperado rumo do crime, do sequestro e do assassinato. “De vez em quando, é preciso dar uma sacudida intencional”, disse ela, que vive a personagem Annie.

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McAdams falou de seu lado agressivo, dos desafios às expectativas de Hollywood e dos efeitos de compartilhar uma experiência pessoal de vítima de assédio sexual na hashtag #MeToo. Trechos da conversa: 

Foi muito bom ver você assumindo completamente seu lado comediante em A Noite do Jogo

Comédia ainda me intimida. Respeito muito os verdadeiros comediantes. Além de trabalhar duro, acho que eles nascem com alguma coisa que o restante de nós, atores, luta para adquirir. E comédias fora de série não aparecem todo dia, pelo menos não para mim.

Há algo que você leve tão a sério na vida real quanto sua personagem Annie leva os jogos noturnos?

Levo o bingo muito a sério. É uma tendência de família. Minha avó tricotava bolsinhas para levar seus marcadores de bingo e jogava com 30 cartelas. Ainda não cheguei a isso, mas espero chegar quando estiver nos 70 anos. 

Se eu for a um salão de bingo e vir alguém de óculos e lenço na cabeça devo pensar “hey, parece a Rachel McAdams...”?

Sou eu mesma (risos). Sempre que vou para o norte de Ontário, procuro na internet o salão de bingo local e dou uma escapada. 

Você e seus companheiros de elenco têm algum ritual de preparação antes de a filmagem começar?

Na véspera, fazemos uma noite de jogos. Billy (Magnussen) é um excelente cozinheiro e nos reunimos em sua casa. Jogamos Clue, depois um jogo chamado Joking Hazard, já ouviu falar? É uma espécie de fusão de Apples to Apples com Cards Against Humanity. Intenso!

As pessoas mostram seu lado competitivo no jogo? 

Acho que é uma experiência social interessante observar o que aflora em uma mesa de jogo. Os que dizem que não querem jogar são sempre os que no fim da noite se recusam a parar, aqueles que você tem de pôr para fora da sua casa às 3 da madrugada. 

Já houve algum dia desde Meninas Malvadas em que alguém não falasse a você de Regina George? 

Regina George vive me perseguindo (risos). Mas tenho de agradecer a ela por ter me dado alguma longevidade. Vou ser sempre grata a Tina Fey (a roteirista do filme) e a Mark Walters (o diretor). Lembro-me que quando li o roteiro chamei meu agente e disse: “Faço qualquer papel nisso, por favor, por favor...”. Estava no início de minha carreira e havia algo ali que me pegou. Gosto de personagens fortes, provavelmente por isso goste de fazer vilãs. Elas sempre saem impunes.

Em outubro, você falou à Vanity Fair sobre quando era estudante de teatro e foi molestada sexualmente pelo cineasta James Toback. Selma Blair disse que você a apoiou para que ela compartilhasse sua história. Nos meses que se passaram, você vê alguma mudança nesse aspecto na indústria do entretenimento?

Selma realmente me inspirou – e acho que ela entendeu que foi o contrário. Trocamos ideias antes de falar com Vanity Fair. Ela foi muito corajosa e me deu coragem. É difícil de acreditar que, passados tantos anos, você ainda possa recuperar um pouco do que perdeu. Eu não imaginaria, 17 anos atrás, quando aconteceu aquilo, que eu teria essa oportunidade. Havia dado o caso por encerrado e poder ajudar alguém foi realmente extraordinário. Sinto que existe uma mudança realmente significativa, não tem mais volta. Sou grata por viver para testemunhar isso. As pessoas estão falando, ouvindo, se compadecendo, o que é ótimo. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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