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Mesmo com cinco indicações, 'O Lobo de Wall Street' pode perder Oscar para '12 Anos'

Filme com sexo, drogas e rap estreia nesta sexta-feira, 24, no Brasil

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2014 | 19h04

Há uma maldição do Oscar. Tem sido infalível – os campeões de indicações para o prêmio da Academia têm sido os grandes derrotados na festa. Martin Scorsese sabe disso. Com Gangues de Nova York e O Aviador, duas de suas cinco parcerias com o astro Leonardo DiCaprio, ele teve o máximo de indicações e o mínimo de prêmios. Steven Spielberg, também. No ano passado, campeão de indicações com seu Lincoln, ele viu o filme receber apenas uma estatueta de Academia, a de melhor ator para Daniel Day-Lewis. Por essa lógica, Trapaça e Gravidade, os campeões deste ano, cada um com dez indicações, que se cuidem. Poderão ser atropelados pelo novo Scorsese, O Lobo de Wall Street, e por 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, que concorrem, respectivamente, em cinco e seis categorias.

Não há que levar a regra longe demais, até porque David O. Russell e Alfonso Cuarón têm papado prêmios e bilheterias, e isso avaliza as aspirações de ambos (o filme do segundo é melhor, ressalte-se). Mas O Lobo possui uma característica – ou vantagem? Márcio Fraccaroli, da Paris Filmes, distribuidora do Lobo no Brasil, aposta no mercado – ele garante que o filme de Scorsese é o mais comercial desta safra do Oscar. Tem tudo o que o público gosta – sexo, drogas, palavrões e rock’n’roll (na verdade, rap). O máximo da incorreção política – contra mulheres e gays, mas não contra negros. Há que tomar cuidado com o assunto, e o Lobo, afinal, vai perder para 12 Anos, ou alguém duvida?

 

 

Indicado para cinco prêmios, O Lobo concorre a melhor filme, diretor (Scorsese), ator (‘Leo’, que já ganhou o Globo de Ouro da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood como melhor ator de comédia pelo papel), ator coadjuvante (Jonah Hill) e roteiro adaptado (Terence Winter, baseado no livro autobiográfico de Jordan Belfort). A disputa promete ser acirrada e o suspense só termina em 2 de março. And the Oscar goes to... Quem?

Em meados dos anos 1980, Scorsese fez o remake do cultuado Desafio à Corrupção/The Hustler, de Robert Rossen, de 1961, pelo qual Paul Newman ganhou o Oscar, repetindo seu papel como o jogador de sinuca Eddie Felson. O filme chamou-se A Cor do Dinheiro no Brasil. O Lobo de Wall Street poderia ser agora A Cor do Dinheiro 2, ou Desafio à Corrupção 3. Jordan Belfort, o personagem de Leonardo DiCaprio, toma dinheiro dos otários com a consciência tranquila de quem se considera avalizado para isso e a certeza de que saberá desfrutar mais, ao gastar, que o povo que engana.

O filme narra uma miríade de sonhos que, eventualmente, vira pesadelo. Os tietes juram que Scorsese está sendo crítico. Talvez não esteja. Na dúvida, não ligue para a opinião dos outros e forme a sua. Não seja um cabeça de vento.

 

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