REUTERS/Alessia Pierdomenico
REUTERS/Alessia Pierdomenico

Meryl Streep, a campeã do Oscar completa 70 anos

O dia 22 de junho é um bom pretexto para lembrar uma das características da atriz e o gosto pelos sotaques

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2019 | 13h23

Mary Louise Streep nasceu em 22 de junho de 1949 em Summit, Nova Jersey. Parabéns para esta senhora, que completa neste sábado 70 anos. Senhora, Mary Louise? Pois foi como Meryl Streep que ela se tornou conhecida e admirada em todo o mundo. Uma grande atriz.

Recordista de indicações para o Oscar – 21! -, venceu três vezes o prêmio da Academia, como melhor coadjuvante, por Kramer Vs Kramer, em 1979; e melhor atriz, por A Escolha de Sofia, 1982; e A Dama de Ferro, 2011. Teve 29 indicações para o Globo de Ouro, e venceu oito. Recebeu três Emmys, o Oscar da TV; dois Screen Actors Awards. Foi nelhor atriz em Cannes, em Berlim e recebeu o Prêmio Honorário do American Film Institute em 2004, e o Kennedy Center Honor, em 2011, ambos por sua extraordinária contribuição à arte da representação – e à cultura – dos EUA.

Haja estante para acomodar tantos prêmios. Mas a verdade é que, apesar de todo o prestígio que obteve em décadas de carreira, Meryl não era, necessariamente, uma atriz popular, uma campeã de bilheterias. Em termos de público, foi somente em 1994, com O Rio Selvagem, um filme de ação de Curtis Hanson, como mulher que defendia a família de arma, ou remo, na mão, que ela arrastou o público para os cinemas. Antes, a bilheteria era creditada a seus galãs. Outros sucessos memoráveis – como Miranda Priestly, a guru da moda de Nova York em O Diabo Veste Prada, de 2006, e a Donna de Mama Mia!, o musical, em 2008.

Atriz, cantora, Meryl tem sido tão midiatizada que vale lembrar uma característica importante, e polêrmica, que remonta a seu começo, lá atrás. De cara, não foi uma unanimidade, e muitos críticos, senão a reprovavam, reclamavam do que, para eles, era seu arsenal de truques. Porque Meryl adorava os sotaques, e/ou as máscaras, disfarçando-se por trás de cabeleiras, óculos, maquiagens diversas. Vamos lembrar a 'velha' Meryl, na verdade quando ela era jovem e – sim! - chegou a ser chamada de careteira?

A Mulher do Tenente Francês

Na adaptação, pelo diretor Karel Reisz e o dramaturgo Harold Pinter, do romance de John Fowles, Meryl faz atriz dentro do filme, vivendo a mulher do tenente francês e a estrela às voltas com seu galã. Meryl, Jeremy Irons, e sim, ela carrega na afetação, o que não impede o filme de ser brilhante. Mas, na época, muita gente reclamou.

A Escolha de Sofia

Outra adaptação, do romance de William Styron, pelo diretor Alan J. Pakula. Meryl, faz judia polonesa atormentada pela culpa, por causa da escolha terrível que foi forçada a fazer no campo de concentração nazista. Somente um monstro poderia levar uma mãe a escolher entre seus filhos. Pois ela foi, e escolheu – uma escolha que ainda doi, décadas mais tarde. O primeiro Oscar (de atriz) a gente não esquece. Meryl e seu sotaque. Um crítico chegou a escrever que, em vez da personagerm, ela interpretava Greer Garsdon, uma famosa atriz dos anos 1940.

Entre Dois Amores

Sydney Pollack e sua versão romanceada da vida da escritora Karen Blixen, que se tornou conhecida com o pseudônimo masculino de Isak Dinesen. Na África, embora casada, Karen envolve-se com aventureiro inglês, Robert Redford. O filme ganhou montes de Oscars, mas faltou o de atriz. E, sim, Meryl representa com sotaque.

Um Grito no Escuro

Pelo longa de Fred Schepisi, Meryl foi melhor atriz em Cannes, em 1988. E, desta vez, além do staque, ela usa caberlo curto, preto, o que a torna irreconhecível. A história real mobilizou a opinião pública australiana. A mãe acusada de matar o próprio bebê.

Júlie e Júlia

O filme de Nora Ephron é de 2009 e mostra uma jornalista, Júlia, entrevistando, para um livro, outra Julia, chef de cozinha. Meryl volta ao sotaque, agora com efeito cômico.

O Fantástico Sr. Raposo

No mesmo ano, o longa de animação de Wes Anderson proporcionou um regalo para Meryl. Para fazer a Sra. Raposo, tudo o que ela necessitava wra... de um sotaque!

A Dama de Ferro

O segundo Oscar de melhor atriz, em 2011. Phyllida Law dirige Meryl como a Dama de Ferro, a ex-premier inglesa Margaret Thatcher. Com todo respeito pela personagem, Margaret era dentuça, falava sibilando. Um prato cheio para Meryl e um detalhe precioso para ajudar a ganhar mais um prêmio da Academia.

Florence – Quem É Esta Mulher?

A pior cantora de ópera do mundo, a milionária norte-americana Florence Foster Jenkins. Stephen Frears dirige e Meryl, como em seu começo, carrega no sotaque.

 

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