Meryl faz em filme coisas que nenhuma estrela classe A de Hollywood fez

CRÍTICA: Atriz recordista em indicações para o Oscar vive privilégio em Hollywood

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

16 de agosto de 2012 | 20h31

Cinéfilos de carteirinha talvez se lembrem da cena em que Deborah Kerr veste a camisola para tentar seduzir o marido coroa em Movidos pelo Ódio, de Elia Kazan. Kirk Douglas, que é quem faz o papel no filme de 1969, não está interessado porque tem uma amante jovem e sexy – interpretada por Faye Dunaway. Não é o caso de Tommy Lee Jones em Um Divã para Dois, de David Frankel. Quando Meryl Streep se põe sexy para o maridão no quarto ao lado e ele a despacha, é porque o tesão acabou.

Mas ela insiste e arrasta o marido para uma terapia de casais. Steve Carrell é quem faz o terapeuta – sério. O filme, aliás, não é bem uma comédia, embora tenha cenas engraçadas. É mais um drama filmado como comédia, como Alfred Hitchcock explicava a François Truffaut que devem ser filmadas as cenas de assassinato em dramas de suspense.

Meryl é recordista de indicações para o Oscar e este ano ganhou seu terceiro prêmio por A Dama de Ferro. Antes, em 1979 e 82, fora melhor coadjuvante por Kramer Vs. Kramer e melhor atriz por A Escolha de Sofia. Ela sempre foi a primeira a se queixar de que a produção de Hollywood privilegia os homens e não oferece papéis a atrizes de ‘certa’ idade. Sua carreira é a prova de que isso não é verdade.

Se reclamava, Meryl deve ter parado. É um raro caso de favorita dos críticos que precisou chegar aos 60 anos para arrebentar na bilheteria com O Diabo Veste Prada – também de David Frankel – e Mamma Mia. Com absoluto despudor, Meryl faz, em Um Divã para Dois, coisas que nenhuma estrela classe A de Hollywood fez. Ela ajoelha, e não é para rezar. Pratica com a banana, libera fantasias. Vale tudo para ressuscitar o marido no departamento em que ele parece morto. Cenas de um casamento? Pois é tudo – a transgressão, a ousadia – pela família. Já era o tema de outro filme de Frankel, Marley & Eu. Havia o cachorro, mas sua função era unir Owen Wilson e Jennifer Aniston, que também se amavam.

 
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