Paprica Fotografia
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Mérito de 'Pixinguinha' é resgatar a trajetória do grande músico

O filme de Denise Saraceni e Allan Fiterman tem ambições estéticas limitadas

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2021 | 05h00

Ele é autor de uma das músicas mais queridas dos brasileiros, embora tenha sido feita há mais de 100 anos. Vinicius de Moraes o chamava de santo. No entanto, até agora não havia um longa-metragem em sua homenagem. Para redimir essa falta, chega aos cinemas Pixinguinha – Um Homem Carinhoso, dedicado ao grande instrumentista e compositor brasileiro. O maior de todos, segundo muita gente entendida em música. 

Não se trata de um documentário e sim de um filme de ficção. Na infância, o personagem é interpretado por Luan Bonitinho. Na mocidade, por Danilo Ferreira. E, na maturidade, veja só, por Seu Jorge, o magnífico Carlos Marighella de Wagner Moura, maior sucesso do cinema brasileiro no ano. 

Na infância, o garoto prodígio, futuro autor de clássicos como Carinhoso (1917), Lamentos, Ingênuo, Naquele Tempo, Sofres Porque Queres, Cochichando e Rosa, entre centenas de composições, exibia seu talento na flauta durante sessões de cinema mudo. 

Jovem, encantou europeus e uma ou outra francesa em suas incursões internacionais com o grupo Os Oito Batutas. Maduro, trocou de vez a flauta pelo saxofone e continuou a seduzir todos pelo talento incomparável e gênio bom, de brasileiro típico (que não existe mais), aquele que se dava bem com todo mundo. 

Há uma cena engraçada, que define o caráter de Pixinguinha. Vítima de uma tentativa de assalto, faz amizade com o ladrão e o leva para tomar uns tragos em sua casa, para desespero da esposa Betí (Taís Araujo). 

A história do casal nem sempre foi um mar de rosas, pois Pixinguinha, assediado por credores, batia ponto no Bar do Gouveia e chegou a ter problemas de dependência do álcool. Louco por crianças, era infértil e adotou um filho. 

O filme de Denise Saraceni e Allan Fiterman tem ambições estéticas limitadas. Seu mérito é esboçar, em traços rápidos, e de maneira simples, a trajetória desse brasileiro genial que precisa ser redescoberto de tempos em tempos. Sobretudo nessa época sombria é muito bom lembrar que também podemos produzir gente como este Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Alcunha derivada de Pizindin, como a avó africana o chamava, palavra que significa “menino bom”.

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